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Americanos rendidos ao online

Oito em cada dez americanos fazem compras online, segundo o mais recente estudo do Pew Research Center – o equivalente a 79% dos consumidores americanos, contra apenas 22% em 2000.

De acordo com o estudo, mais de metade (51%) compra via smartphone e 15% compram depois de clicarem num link partilhado nas redes sociais. Apesar de o objetivo do estudo ser detalhar quantos consumidores compram online, onde, quantas vezes e em que plataformas, o mais interessante, na opinião dos analistas, são as respostas que permitem descobrir o “porquê”.

Surpreendentemente, não é necessariamente a conveniência de, com apenas alguns cliques, poder ter os produtos em casa. A maioria dos consumidores afirma que a possibilidade de comparar preços e artigos semelhantes de forma mais eficiente na web antes da compra é uma das principais mais-valias do online. Este é uma conclusão interessante sobre o comportamento do consumidor numa altura em que muitas startups estão a apostar em serviços que vão desde a entrega no mesmo dia a encomendas de produtos básicos, como tampões ou escovas de dentes, poupando o aborrecimento de sair de casa.

Katherine Boyle, associada da Catalyst Geral, referiu recentemente num artigo no portal Tech Crunch que, «em Silicon Valley, as pessoas esforçam-se por poupar tempo, na restante América, as pessoas esforçam-se por poupar dinheiro».

Segundo as descobertas do Pew, 65% dos consumidores revelam que, sendo os artigos iguais, preferem fazer compras numa loja física. Não obstante, a percentagem daqueles que prefere comprar em lojas físicas diminui dependendo de quão frequentemente estão online a fazer compras. Por exemplo, 62% daqueles que compram online semanalmente preferem o comércio eletrónico às lojas físicas. Mas 82% daqueles que fazem compras nem uma vez por mês optam por lojas físicas.

No entanto, a escolha do local de compra é, muitas vezes, uma mera questão de preço. 65% dos consumidores referem que quando precisam de fazer uma compra, comparam os preços do mundo real com os preços online e, de seguida, compram onde conseguem melhor negócio. Apenas 21% dizem que compram sem verificar os preços online e comparar, e apenas 14% afirmam que compram online sem verificar os preços do retalho.

Também interessantes foram as respostas dos consumidores a perguntas sobre os fatores que têm em consideração quando compram algo que nunca compraram. Comparado com muitos outros fatores, a conveniência de fazer uma compra sem precisar de ir à loja está na parte inferior da lista daquilo que as pessoas consideram importante. Apenas 42% consideram a conveniência como uma mais-valia “relativa” ou “extremamente” importante, por exemplo. Entretanto, os fatores mais importantes na compra de um artigo pela primeira vez incluem a comparação de preços (86%), fazer perguntas (84%), comprar a vendedores que conhecem (84%), ver o produto pessoalmente (78%), ter aconselhamento de pessoas que conhecem (77%) e ler críticas online (74%).

As críticas online, de resto, tornaram-se muito importantes para as decisões de compra dos americanos. 82% declaram que consultam os ratings online quando compram pela primeira vez e quase metade (46%) considera que os comentários podem ajudar a fazer compras de forma mais confiante.

O relatório aprofunda também temas como o “showrooming” (verificar os preços online enquanto se compra numa loja física – algo que 45% dos inquiridos fazem); o papel das redes sociais nas compras e os pagamentos. Neste último campo, a utilização de dinheiro físico parece estar em declínio – 24% não fazem compras com dinheiro durante a semana, outros 24% usam dinheiro para quase todas as compras e os restantes afirmam conciliar diferentes métodos de pagamento.

Embora o relatório não tenha explorado profundamente as novas tecnologias de pagamento, observou que 12% dos americanos pagam via smartphone, 39% dizem ter ouvido falar da moeda digital bitcoin, mas apenas 1% já a usaram.