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AMITH quer acelerar ITV de Marrocos

A pensar no crescimento da indústria têxtil e vestuário de Marrocos, a associação do sector tem um plano de modernização para as empresas marroquinas. A nova direção da AMITH quer que a indústria deixe de ser apenas fornecedora de mão de obra para passar a apresentar soluções aos clientes internacionais.

Moulay Elalamy (Ministro da Indústria de Marrocos) e Mohammed Boubouh (presidente da AMITH)

Com investimentos de cerca de 450 milhões de euros, a AMITH – Association Marocaine des Industries du Textile et de l’Habillement pretende criar 62.500 novos postos de trabalho e aumentar as vendas em 1,5 mil milhões de euros, fazendo crescer as exportações que, em 2018, atingiram 3,6 mil milhões de euros. As malhas, os têxteis técnicos e o denim deverão ser os motores deste crescimento, segundo a associação.

Desde 2015, a AMITH e o Ministério da Indústria têm vindo a implementar uma estratégia «ambiciosa» para aumentar o valor do sector com um Plano de Aceleração. Parte desse plano prevê o desenvolvimento do modelo de negócio das empresas, do tradicional CMT, em que apenas é fornecida a mão de obra, para uma oferta FOB, em que a empresa é responsável pela produção até ao envio.

«Marrocos está a passar de uma pura sala de confeção para um fornecedor de soluções profissionais. O novo foco é reforçar a cadeia de valor a jusante para impulsionar a competitividade dos produtores de Marrocos e expandir mais a sua capacidade de responder rapidamente ao mercado», sublinha a AMITH, que recentemente mudou a liderança, com Mohammed Boubouh a assumir a presidência e Fatima Zohra Alaoui a ficar com o cargo de diretora-geral.

«Tenho três grandes desafios pela frente: a formação, a flexibilização das regras de origem e a consciencialização dos industriais do sector que não devem ser vendedores de minutos mas sim fornecedores de soluções», revelou, ao Portugal Têxtil, Mohammed Boubouh. «Enquanto industrial estabeleci, este ano, uma joint-venture com o grupo espanhol Santanderina para estamparia digital de tecidos, algo que gostaria que a maior parte dos industriais marroquinos fizesse», exemplificou.

Aposta em parcerias

Na tentativa de adaptar a indústria marroquina aos desafios atuais, foi criada uma plataforma digital que fornece informação detalhada sobre os produtores e permite a criação de uma rede de contactos diretos.

Benoit Hacot (UIT), Marc Pradal (UFIMH), Mohammed Boubouh (AMITH), Taha Ghazi (Ministério da Indústria e Comércio) e Jean-François Limantour (consultor)

Na área da internacionalização, a AMITH assinou, durante a Maroc in Mode, dois acordos de parceria com a UIT – Union of Industries Textiles e a UFIMH – Union Française des Industries Mode & Habillement para consolidar a cooperação entre Marrocos e França, no sector têxtil, vestuário e moda. «Estamos muito interessados em colaborar de forma mais estreita com as marcas francesas – para que possam vender o máximo das suas coleções sem serem obrigadas a ter grandes volumes de stock – e com os produtores de tecidos franceses – para podermos dispor mais rapidamente de tecidos e oferecer a peça acabada num prazo mais curto», salientou Mohammed Boubouh.

Já em 2017, a AMITH tinha assinado um acordo de cooperação com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e o CITEVE. «São acordos diferentes [dos franceses]. Com o CITEVE temos um acordo de transferência de know-how, que pode ensinar-nos muito em termos de técnicas e conhecimentos», garantiu o presidente.

«Embora Espanha e França sejam, tradicionalmente, parceiros fortes, no futuro o foco estará cada vez mais em novos mercados, sobretudo no Norte da Europa. A Escandinávia e a Alemanha são mercados estratégicos nos quais a atividade irá aumentar significativamente e onde as medidas serão intensificadas», aponta a AMITH.