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Análise às importações de roupa de cama de algodão

As importações da UE de roupa de cama de algodão estampada continuaram a aumentar de forma significativa ao longo de 2003, com a Turquia, o Paquistão e a Índia a controlarem a maior parte do mercado. No entanto, de acordo com o estudo do Emerging Textiles, prevê-se o abrandamento das importações com origem no Paquistão, em benefício da Turquia e da Índia, apesar da eliminação das quotas a partir do próximo ano.

As importações de roupa de cama de algodão estampada (categoria HS 6302.21) subiram 18,50% em termos de volume em 2003, após a subida de 9,41% que foi registada em 2002. Apesar da subida significativa do volume das importações, o valor total registou uma subida de apenas 5,26%, em resultado de uma nova descida nos preços, cifrando-se nos 489 milhões de euros.

Para a categoria em análise, o mercado europeu é dominado por três países de origem, nomeadamente: Turquia, Paquistão e Índia, que em conjunto representam 66,61% do total das importações da UE em termos de volume.

Após a subida de 43% registada em 2002, o crescimento registado nas importações com origem no Paquistão em 2003 ficou pelos 12%, em resultado a quota do Paquistão decresceu dos 27,93% para os 26,34% em termos de volume.

A Turquia tem sido capaz de resistir a este período de abrandamento económico, com as exportações para a UE a aumentarem 53%, cifrando-se nas 21.000 toneladas, e aumentando a sua quota no mercado europeu, que passou dos 20% para os 26%. Apesar do Paquistão ser o principal fornecedor em termos de volume, a Turquia conquistou a primeira posição em termos de valor.

Após a quebra de 13,70% registada em 2002, as importações da Índia recuperaram em 2003, registando uma subida de 36% em termos de volume, após Bruxelas ser forçada a eliminar as taxas anti-dumping impostas desde 1998.

Outros fornecedores com relevância incluem países que entraram para a União Europeia com o alargamento verificado no início de Maio (vernotícia no PT), sendo de destacar o caso da Polónia (6,78% das importações em 2003) e da República Checa (4,60% das importações em 2003).

Até ao momento, a Turquia estava protegida pelos limites impostos nas importações com origem no Paquistão. Os limites da UE ao Paquistão, nos produtos da categoria 20 (roupa de cama, incluindo artigos não estampados ou fabricados com outras fibras), foram aumentados de forma significativa nos últimos quatro anos, tendo-se registado uma subida significativa das 33.218 toneladas em 2000 até cerca das 60.000 toneladas em 2004, o último ano antes da eliminação das quotas.

Ao longo dos últimos anos, o Paquistão tem utilizado em pleno as suas quotas, num claro sinal do aumento das vendas para a União Europeia. Outros fornecedores sujeitos a quotas, tal como a Índia, não atingiram os limites estipulados pela UE.

Em vez de estarem sujeitas a uma tarifa de importação de 12%, as importações paquistanesas foram fomentadas pela entrada isenta de taxas ao mercado europeu, ao abrigo do programa generalizado de preferências. A roupa de cama da Turquia também beneficia do acesso isento de taxas à UE, assim como acontece com todos os outros produtos fabricados na Turquia. Os fornecedores indianos podem beneficiar da excepção parcial ao abrigo do programa de preferências generalizado.

A roupa de cama de algodão estampada, com origem no Paquistão, é vendida principalmente na França e na Alemanha e em menor quantidade no Benelux. Um volume significativo da roupa de cama de algodão estampada com origem na Índia, é expedida para o mercado alemão, enquanto os artigos turcos são comprados não apenas pelos germânicos, mas também pela França e Bélgica. O Reino Unido continua a importar roupa de cama com origem em Portugal, com o Paquistão, Turquia e a China a conquistarem pequenas quotas do mercado britânico.

A UE não impôs quotas nas importações com origem na China, tendo-se registado um aumento de 38% em 2003. Apesar do crescimento ser significativo, devido ao baixo volume registado em 2002 a quota de mercado da China é de apenas 1,15% em volume e 2,46% em valor.

Apesar das quotas da roupa de cama de algodão estampada do Paquistão serem eliminadas, não se prevê um aumento no volume das importações. O Paquistão não vai apenas perder o seu acesso isento de taxas ao mercado europeu em 2005, como vai ainda suportar as taxas anti-dumping de 13,1% que foram impostas desde o mês de Março (vernotícia no PT). No entanto, com o alargamento da UE, os exportadores paquistaneses esperam a redução das suas taxas para metade.

A recente subida nos preços do fio de algodão resultaram no crescimento dos preços de exportação da roupa de cama com origem no Paquistão. O valor médio unitário aumentou dos 5,54 dólares por quilo (4,58 euros por quilo), verificado entre Janeiro e Junho de 2003, cifrando-se actualmente nos 6,64 dólares por quilo (5,49 euros por quilo) em 2004, de acordo com os dados oficiais paquistaneses. Os exportadores paquistaneses estão a tentar mudar para produtos com maior valor acrescentado.

Com um valor de 4,71 euros à entrada das alfândegas europeias, o preço médio da roupa de cama com origem na Índia estava muito abaixo do verificado pelo Paquistão no ano passado. A roupa de cama com origem na Turquia foi importada ao preço médio de 6,27 euros por quilo.

Considerando o comércio intra e extra-comunitário de roupa de cama de algodão estampada, Portugal ocupa a terceira posição em termos de valor entre os principais fornecedores do mercado europeu. A quota de mercado nacional registou um crescimento positivo em 2003, cifrado nos 8,4% e evidenciando uma subida de 14,5% relativamente a 2002.

Para mais informação sobre esta matéria, pode consultar a Ficha de Mercado elaborada pelo Observatório Têxtil sobre o Comércio Internacional de lençóis de algodão estampados da UE (UE: Roupa de cama de algodão estampada).