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ANI entrega €2,7 milhões para respostas à Covid-19

A Agência Nacional de Inovação atribuiu a verba para a produção de equipamentos de proteção individual do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, a um projeto de desenvolvimento de ventiladores do CEiiA e à criação de testes de diagnóstico mais simples e mais baratos do iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica.

CTCP

A iniciativa INOV 4 COVID-19, direcionada exclusivamente a Centros de Interface (CIT) e Laboratórios Colaborativos (CoLAB), tem como objetivo responder às necessidades urgentes do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para fazer face à situação epidemiológica e impulsionar a produção nacional de produtos e sistemas essenciais a esse combate.

«Este financiamento é essencial para apoiar projetos inovadores com aplicabilidade no curto prazo, sem prejuízo do rigor científico, não só para melhorar e aumentar a capacidade do nosso SNS, mas também para envolver as empresas nacionais, neste momento a viver uma crise económica que se prolongará por meses e eventualmente anos, permitindo converter a sua cadeia de produção com produtos com procura a nível nacional e potencial exportador. Estes projetos são importantíssimos, não só do ponto de vista da resposta imediata à crise epidemiológica, como também de uma perspetiva de reforço da própria segurança e soberania nacionais», afirma, em comunicado, Eduardo Maldonado, presidente da ANI – Agência Nacional de Inovação.

Ventiladores made in Portugal

A maior verba, no valor de 2,6 milhões de euros, foi atribuída ao projeto Atena, dedicado ao desenvolvimento de um ventilador médico invasivo de montagem simples e produção descentralizada para ambiente hospitalar com conceção, teste e preparação do processo de industrialização em Portugal.

CEiiA

Promovido pelo CEiiA – Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel, envolve a Escola de Medicina da Universidade do Minho e o DTx – Digital Transformation CoLab como parceiros de desenvolvimento, a Sonae, a Efacec, a Friconde, a Frezite, a GLN, a Guimocircuito e a Exatronic como parceiros industriais, 20 médicos intensivistas e pneumologistas dos hospitais da Luz, Santo António, Braga, São João, Pedro Hispano, Pulido Valente e CUF, entre outros, o Infarmed e o Instituto Superior Técnico como colaboradores especiais, a EDP – Energias de Portugal, a REN – Redes Energéticas Nacionais, a Fundação La Caixa/BPI, a Família Amorim, a Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros como mecenas, e vários fornecedores.

Com industrialização prevista a partir de setembro, o CEiiA estima que este ano «seja possível produzir um total de 1.500 ventiladores, com a previsão de uma forte componente de exportação nos anos seguintes», indica o comunicado da ANI.

Calçado e máscaras certificadas

Já o projeto do CTCP recebeu uma verba para o desenvolvimento de 77 mil euros para certificar equipamentos de proteção individual (EPI), incluindo calçado, máscaras e viseiras.

Batizado Calçado Solidário @FOOTURE, o objetivo é a «rápida colocação ao serviço do SNS e do mercado de produtos que cumprem as normas de saúde e segurança aplicáveis na situação epidemiológica motivada pelo SARS-CoV-2 e pela doença Covid-19 e a promoção de novas cadeias de produção nacional de EPI, que assegurem maior autonomia do país nestes produtos críticos».

O projeto envolve diferentes empresas do cluster do calçado e componentes, nomeadamente a Luís Onofre, Vitorino Coelho, AMF, Aloft, Procalçado e Atlanta, assim como a Universidade do Minho, a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos e a ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção.

Testes mais baratos

A última verba, no valor de 40 mil euros, foi entregue à iBET para a disponibilização de testes à Covid-19 mais rápidos e baratos. O objetivo é substituir o atual método baseado em qRT-PCR (uma técnica de laboratório baseada no princípio da reação em cadeia da polimerase) por um RCO convencional aninhado de tubo único com auxílio colorimétrico ultrassensível, para detetar o SARS-CoV-2 em zaragatoas nasofaríngeas.

iBET

O protocolo projetado pelo iBET «explora procedimentos estabelecidos há muito tempo, aumentando a capacidade instalada dos laboratórios de análise em Portugal e reduzindo o preço de custo de um único teste para cerca de 50% do custo estimado para o método atual (estimativas válidas para a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento)», indica o comunicado.

O projeto conta com a colaboração de outras entidades, como a iNOVA4Health ou o

Instituto Gulbenkian de Ciência. Os parceiros do projeto são a Stab Vida, uma empresa portuguesa na área da biotecnologia, que supervisionará a produção e a certificação dos kits, e a Soquímica, especialista em equipamentos laboratoriais de alta qualidade e serviços técnicos altamente especializados, «que, no projeto em causa, exploraria a comercialização de um kit com os componentes críticos do teste, prontos para serem manipulados de maneira amigável».