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Anti-dumping causa polémica

A Comissão Europeia foi acusada de ignorar o feedback sobre as taxas anti-dumping das importações de calçado em pele proveniente da China e do Vietname, após ter enviado aos Estados-Membros as suas conclusões finais sobre as investigações apenas um dia depois das preocupações da indústria terem sido apresentadas. A Foreign Trade Association (FTA), que representa retalhistas e importadores na Europa, afirmou estar «espantada» com as notícias que surgiram um dia após ter apresentado uma resposta «substancial» ao relatório de 80 páginas da Comissão sobre o assunto. «Na terça-feira de manhã (3 de Novembro) apresentamos um documento de 36 páginas contendo 215 questões e argumentos em relação à proposta preliminar da Comissão», explicou o conselheiro legal da FTA, Stuart Newman. «Saber que a Comissão foi capaz de considerar todas as questões e verificar todos os argumentos até quarta-feira à noite foi uma surpresa. Contudo, falando francamente, é ultrajante verificar que após esse exercício as conclusões finais da Comissão não tenham mudado em relação às suas conclusões preliminares», acrescentou. Newman referiu-se ao facto da Comissão ser obrigada a considerar os comentários de todas as partes interessadas antes de enviar a sua proposta final aos Estados-Membros. Uma vez que diversas partes apresentaram as suas preocupações, há alegações de que estes pedidos de esclarecimento foram ignorados. O secretário-geral da FTA, Jan Eggert, afirmou que «não posso acreditar que tenha havido uma avaliação genuína e aprofundada dos argumentos colocados pelos retalhistas e importadores europeus. A única conclusão sensata que podemos tirar é que a Comissão, uma vez mais, colocou as necessidades dos poucos produtores da Comunidade à frente das necessidades dos muitos retalhistas e importadores da UE. Agora apelo aos Estados-Membros para fazerem uma avaliação mais correspondente à realidade económica do que a conduzida pela Comissão e votarem contra a manutenção destas taxas». Os Estados-Membros devem decidir no final do ano se apoiam ou não a recomendação da Comissão de prolongar durante mais 15 meses as taxas anti-dumping, que começaram originalmente em 2006 e foram prolongadas numa revisão no ano passado.