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António Manuel de Sousa retoma produção

A empresa especialista em acessórios de pescoço parou a confeção no início do mês devido à falta de encomendas provocada pelo encerramento do retalho. A resposta ao desafio de produzir tapa-máscaras tornou-se, contudo, uma oportunidade de negócio que a António Manuel de Sousa vai agora explorar.

Ana Lisa Sousa

A produção de tapa-máscaras – uma máscara facial mas sem a proteção de uma máscara cirúrgica – com os tecidos das gravatas começou ainda em março. «Foi um desafio de um amigo», afirma Ana Lisa Sousa, sócia-gerente da empresa. A ideia era colorir um pouco mais a vida de médicos e profissionais de saúde que «achavam piada a colocar qualquer coisa por cima das máscaras cirúrgicas, para não ser tudo aquela cor verde, tristonha», explica ao Portugal Têxtil.

Depois de oferecidas a várias instituições, nomeadamente ao Serviço de Cuidados Paliativos do IPO do Porto e ao Centro de Bem Estar Social de Seixas, as tapa-máscaras acabaram por ser pedidas por consumidores finais e estão à venda na loja online da marca própria da António Manuel de Sousa, a Vandoma. «Resolvemos criar um pack de 10 tapa-máscaras sortidas, que fomos fazendo com os tecidos que tínhamos», revela a sócia-gerente.

No início de abril, a empresa entrou em lay-off mas a necessidade do mercado, nomeadamente com o uso generalizado das chamadas máscaras sociais, levou a empresa decidir retomar a produção já na próxima segunda-feira, 20 de abril. «Há uma oportunidade no mercado e temos de a aproveitar», sublinha Ana Lisa Sousa.

Tapa-máscaras com moda

As tapa-máscaras atualmente produzidas pela António Manuel de Sousa são feitas em poliéster e são laváveis a 60ºC na máquina de lavar. «Submetemos ao CITEVE algumas amostras para ver a capacidade do tecido, nomeadamente a parte da permeabilidade ao ar e a retenção de partículas», afirma a sócia-gerente, que acredita que o poliéster pode ser «uma boa solução para as máscaras sociais».

A atual produção da empresa responde ainda a uma vertente de moda. «Porque não associar a máscara social à roupa que estamos a usar nesse dia? Se a trocarmos todos os dias, temos a parte da higiene e segurança, temos a parte que é lavável na máquina, que simplifica mais o processo, e temos a parte da moda», resume.

Com as lojas ainda encerradas, os clientes habituais da António Manuel de Sousa, que está especializada em gravatas, lenços e outros acessórios, encontram-se neste momento parados. «Temos aqui encomendas que os clientes nos pediram para aguentar, que para já ainda não foram canceladas, mas acredito que algumas vão ser», admite Ana Lisa Sousa.

As tapa-máscaras deverão, por isso, ser uma das vertentes a explorar com o retomar da economia, numa diversificação de produto que a empresa tinha já iniciado, com a adição de coletes e suspensórios nos mesmos tecidos das gravatas. «Acredito que vamos todos ter que nos reorganizar e arranjar outras soluções. As máscaras sociais vão ser uma delas», considera a sócia-gerente da empresa detentora da marca Vandoma.