Início Arquivo

Ao estilo de Paris

O look impecável, a elegância e o estilo próprio das parisienses sempre causaram um forte impacto nas mulheres de todo o mundo, encantadas por aquilo que parece surgir naturalmente e sem esforço. Conhecendo os truques, Ines de la Fressange colocou em livro as dicas para que qualquer mulher possa ter o mesmo sentido de moda das parisienses. Desde que saiu em França no Outono do ano passado, “La Parisienne” vendeu mais de 100 mil cópias, entretendo os leitores com a sua prosa alegre e rapidamente surgiu a versão inglesa – “Parisian Chic” – para um mercado anglo-saxónico cheio de guias “o que não usar”. «Não o escrevi para ser um best-seller», explica De la Fressange, de 53 anos, que em Outubro do ano passado reapareceu na passerelle no desfile de pronto-a-vestir da Chanel, uma casa de moda onde atingiu o status de ícone como musa andrógina de Karl Lagerfeld nos anos 80. «As mulheres francesas geralmente dizem que não estão verdadeiramente interessadas em moda, por isso quando me disseram que vendeu mais do que o Harry Potter ou a autobiografia de Keith Richards foi certamente uma surpresa», explicou à AFP. Concebido como um caderno de notas da Moleskine com uma capa cor de vinho, o livro revela a visão da ex-modelo em relação à moda e explica o que é necessário para verdadeiramente se parecer parisiense. E as dicas são simples. Aplicam-se seis regras: misturar estilos e nunca coordenar; rejeitar o brilho; explorar novas marcas; se se sente bem, use; não idolatrar ídolos da moda; estar atenta ao bom gosto. Depois é necessário abastecer o guarda-roupa com um blazer («ponha-lhe um cinto!»), um trench coat (se possível Burberry, mas não necessariamente), uma camisola navy («mais sofisticada do que uma simples camisola preta») e um tank top. Não esquecer um pequeno vestido preto («não é uma simples peça de roupa, é um conceito»), os jeans perfeitos («como sal, vão com tudo») e finalmente um casaco em pele («salva garantidamente qualquer visual demasiado convencional»). A partir desses básicos, basta usar os acessórios que desejar. Outro conselho: mantenha o seu guarda-roupa minimal e regularmente deite fora o que já não usa. E sorria. «Pode usar-se qualquer coisa com um sorriso», escreve a ex-modelo. Tendo ela própria uma certa idade, De la Fressange dedica algumas páginas a quem tem mais de 40 anos. «Nunca se negligencie», escreve. Não fique presa ao estilo que usava quando tinha 30 anos, de outra forma «irá envelhecê-la instantaneamente». E para quem tem mais de 50 anos, fique longe dos pêlos, a não ser que queira aquele look de «esposa troféu enrugada». Ironicamente para uma consultora de estilo na Roger Vivier, a casa parisiense de acessórios cujo fundador epónimo inventou o sapato stiletto, De la Fressange prefere os rasos do que os saltos e fala mesmo dos ténis Converse. «Há muitas mulheres que pensam que não é possível sair sem saltos. É incrível. Se põem saltos altos porque pensam que são pequenas, bem, ninguém dá assim tanto valor a isso», refere. Para fazer compras, De La Fressange cita o Monoprix, uma modesta cadeia de department stores francesa semelhante ao K-Mart ou ao Marks&Spencer. Também recomenda aventurar-se no departamento de vestuário de homem – «é normalmente muito bom e às vezes demasiado para os homens mas perfeito para nós» – e dar uma volta na secção de criança. «Sou uma viciada em compras mas sei que não preciso de muito para parecer bem», explica. «É melhor investir em algumas peças como uma boa carteira e bons sapatos. Para roupa, é possível ficar-se bem com coisas mais baratas», considera. Para ilustrar os visuais no “La Parisienne”, com fotos de rua tipo paparazzi, De la Fressange recrutou a sua filha Nine d’Urso, de 17 anos, uma finalista do liceu mais interessada na Grécia Antiga do que me passerelles. «Ela pensou que eu lhe pedi apenas porque não tinha dinheiro para pagar a uma modelo», afirma Ines de la Fressange. «Ser modelo é algo que não lhe interessa», acrescenta. Já a própria De la Fressange está a regressar às passerelles, tendo desfilado para Jean Paul Gaultier nas colecções de alta-costura Primavera-Verão 2009 e tendo reaparecido recentemente para a Chanel. Mantendo o seu trabalho na Roger Vivier, está também a surgir em posters nas paragens de autocarro para uma grande department store parisiense – não o Monoprix – e assinou um contrato com a L’Oreal.