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Ao ritmo da inovação

Os líderes do sector retalhista internacional, incluindo a Sonae, debateram, no segundo dia do Congresso Mundial do Retalho, a importância da inovação e do impulso para o crescimento, destacando a relevância desta abordagem na evolução da indústria.

O segundo dia do Congresso Mundial de Retalho 2015, que teve lugar em Roma de 8 a 10 de setembro, centrou-se nas qualidades necessárias aos líderes de retalho modernos: manter a dinâmica do negócio, ser corajoso na mudança organizacional e compreender os fatores que conduzem à transformação de negócios.

Estimular os momentos de crescimento
O presidente da Levi’s, JC Curleigh, aconselhou os líderes de hoje a ponderarem a aplicação das leis da física no mundo dos negócios. Curleigh sublinhou que «um objeto que está em repouso permanece em repouso até que lhe seja aplicada uma força, ou seja, se não fizer nada, nada acontece. Em segundo lugar, a força equivale à massa vezes a aceleração».

Curleigh explicou aos delegados que «a maioria de vocês, nas vossas empresas, começa pela massa e é a nosso função, enquanto líderes, fornecer aceleração à massa, também conhecido como impulso».

Divertidamente, adiantou que deveria existir um cargo denominado de «criador de impulso», sendo cada vez mais importante saber como movimentar, de forma eficaz, uma organização. «Como líderes, é nossa responsabilidade definir essas condições para o sucesso. Não podemos controlar tudo – por exemplo, a moeda chinesa – mas podemos definir as condições para o sucesso e dizer que criamos momentos que se transformaram em impulso», acrescentou.

Curleigh afirmou que a Levi’s compreende a importância de celebrar a sua história, mas também de seguir em frente. «Quando se trata de inovação, podemos inovar mais – a forma como nos relacionamos com as dinâmicas sociais, com a música, criando momentos que são relevantes para a marca. Indicações de estilo de vida, tendências de que todos nós nos apercebemos – podemos aplicá-las aos nossos produtos», explicou.

Mudança corajosa
Um foco inteligente nas necessidades dos clientes e a coragem para servi-los, efetuando mudanças organizacionais cruciais, são elementos necessários à transformação de retalhistas tradicionais em efetivas operações omnicanal, destacou um painel de retalhistas.

Alertaram, simultaneamente, para o facto de diversos retalhistas adotarem a tecnologia sem previamente reorganizarem os seus sistemas de negócios, resultando em custos elevados e baixo desempenho.

«A conjugação de novas tecnologias e operações antiquadas resulta em operações antiquadas dispendiosas. Para muitos retalhistas, o omnicanal é apenas uma má desculpa para manterem o velho modelo de negócios, acrescentar-lhe tecnologia e denominá-lo de integração, mas isso não cria uma experiência perfeita para o cliente», sustentou Luís Reis, chief corporate centre officer (CCCO) da Sonae.

Reis apelou a uma profunda transformação na indústria, afirmando que as metas básicas do retalho têm sido esquecidas, sendo necessário contratar pessoas que possam ajudar a alcançá-las novamente. «O retalho assenta na leitura de mentes, em tocar corações e uma execução impecável. Para ler mentes, necessitamos de analistas preditivos e cientistas de dados; para tocar o coração precisamos de designers e arquitetos de marca – nomes desconhecidos para os retalhistas tradicionais; e para alcançar uma execução impecável precisamos de parar de pensar sobre os CEO e os COO e introduzir diretores de tecnologia», aconselhou.

Este foi, também, um aspeto destacado pelo CEO da Asda Walmart, Andy Clarke. «Para nós, trata-se de examinar a eficácia das nossas lojas e reestruturá-las, adequando-as a um ambiente omnicanal. Se desprezarmos o núcleo, temos um desequilíbrio», referiu.

Refletindo sobre a indústria como um todo, Luís Reis exortou os retalhistas a serem corajosos e a adotarem a mudança. «O retalho é um dos sectores mais afortunados do mundo porque a mudança entra pelas nossas portas e nos nossos websites todos os dias. A questão é como abraçar essa mudança. Temos de ser corajosos o suficiente como indústria para fazê-lo e esse é o maior desafio que enfrentamos. Precisamos de pessoas mais corajosas no retalho», destacou o CCCO da Sonae.

Espírito de inovação
Os oradores reconheceram a inovação como sendo essencial à manutenção da competitividade, mas os executivos admitiram que o pensamento tradicional de retalho continua a inibir diversas empresas.

Jerry Black, diretor digital do Aeon Group, citou as oportunidades que as iniciativas decorrentes de dados dão aos retalhistas e provocou a audiência: «muitos estão a ficar para trás porque quando se trata de conhecer melhor os seus clientes, ainda perguntam: qual é o retorno sobre o investimento disso?»

Mario Maiocchi, CEO da retalhista Mondadori Retail, revelou que quando introduziu uma nova tecnologia experimental no seu negócio, foi questionado sobre a sua projeção nas vendas. Ressalvando a natureza absurda da questão, sublinhou que «quando se inova, há um certo grau de incerteza».

Olaf Koch, CEO da retalhista alemã Metro, considera que inovar é reconhecer que não se conhece as respostas e, em seguida, começar a aprender, falhar e aprender. «Num mundo como este em que trabalhamos juntos, não podemos trabalhar com gestão de comando e controlo. Tivemos de criar envolvimento».