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Apertex celebra 90 anos a crescer

No ano passado, a produtora de têxteis-lar lançou-se no segmento de roupa de banho e passou a vestir toda a casa, tendo registado um crescimento de 50% no volume de negócios. Em 2018, a Apertex comemora nove décadas de atividade e continua em excelente forma.

As colchas foram o produto de eleição da empresa, que deu os primeiros passos pelas mãos de António Pereira em 1928, mas, a pouco e pouco, as restantes categorias de têxteis-lar entraram na oferta da Apertex: primeiro na cama, depois na cozinha e, em 2017, na casa de banho.

«A linha de banho não tem nada a ver com a linha de cama», faz questão de frisar ao Jornal Têxtil o CEO Fernando Pereira, um dos seis netos do fundador que estão atualmente à frente dos destinos da empresa familiar. «Tivemos que nos adaptar a nível de fios, de matérias-primas e também ao conceito das medidas. São linhas muito diferentes. No fundo, foi mais uma vez criar um novo conceito a nível de cores, de combinados. A nossa ideia foi alargar mais a linha de casa. Por exemplo, ter um roupão de banho que vá ao encontro do desenho da cama, da cortina… ter uma oferta mais alargada. É um trabalho muito árduo e diferente do que temos feito», explica.

Em 2017, a Apertex, que emprega 40 pessoas, cresceu 50%, para um volume de negócios superior a 4 milhões de euros. «Acabámos o ano de excelente forma», reconhece o CEO, adiantando que 2018 está a ser encarado com igual otimismo. «Estamos no bom caminho, a trabalhar para manter esse resultado. Pensar em crescer, nunca em diminuir», sublinha Fernando Pereira.

É com o crescimento em mente que a produtora de têxteis-lar tem vindo a fazer investimentos constantes e este ano chegaram já mais dois novos equipamentos. «Na tecelagem dispomos de uma produção de 40 mil metros mensais e temos capacidade de resposta», adianta o CEO, que, no entanto, não tem reservas em recorrer à subcontratação. «Se tivermos necessidade de ir ao mercado, existem várias empresas do nosso ramo, parceiras, que podemos subcontratar. Damo-nos bem com os vizinhos», afirma.

O mundo como casa

Com os olhos postos além-fronteiras, para onde exporta a quase totalidade dos artigos que produz para 60 mercados em todo o mundo, a Apertex está presente em várias feiras, nomeadamente na Alemanha e no Japão, e procura criar artigos que vão ao encontro dos gostos dos diferentes clientes. «Não fazemos uma, fazemos várias coleções. Quando pensamos num mercado, pensamos quer na coleção de desenhos, quer nas cores. Não podemos, por exemplo, pegar num verde e vender ao Reino Unido – não funciona. Cada produto, cada desenho, cada confeção tem um conceito para cada país», explica o CEO ao Jornal Têxtil. Além disso, «fazemos uma coleção de propósito para cada feira, tentando enquadrá-la no local. Nunca saindo, claro, do critério da qualidade do produto e da imagem que damos. Mas temos sempre novidades. Foi nesse sentido que a Apertex começou há muitos anos e continua sempre a inovar, pois o nosso trabalho nunca acaba. Parece que tudo já está inventado, mas temos de explorar coisas novas, ir ao encontro do mercado. Aquilo que funcionou há 20 anos, deixou de funcionar há 10 anos. E o que funcionava há 10 anos, já não funciona agora. E daqui a 10 anos vai ser diferente e nós temos de ter capacidade de acompanhar o mercado», considera Fernando Pereira.

Apesar da marca Portugal estar num momento alto, com uma elevada notoriedade dos têxteis-lar nacionais no exterior, Fernando Pereira adverte que as exigências estão continuamente a aumentar, assim como a concorrência. «Em cada geração, a fasquia é cada vez mais alta. Tudo o que levava muito mais trabalho, hoje em dia torna-se mais fácil, mas também se perde mais rápido. A concorrência tanto se ganha como se perde», afirma, acrescentando que «na têxtil, o que fizemos aos outros países, temos de ter cuidado, pois eles podem fazer-nos o mesmo. Há países emergentes que estão a crescer muito».

O segredo do sucesso

Para manter-se na crista da onda, como fez nas últimas nove décadas, há apenas um “segredo”: «trabalho árduo no dia a dia e a honestidade que as pessoas têm de ter, porque quando se pensa à frente, as coisas aparecem. Quando se pensa só para o dia a dia, depressa vai acabar. Esta empresa orgulha-me muito e espero que haja sempre familiares para lhe darem continuidade. Temos trabalhado bastante, com muito gosto no produto que fazemos. São os têxteis que me movem, é isto que eu gosto», resume o CEO da Apertex.