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Apoio de fundo

As empresas têm mais uma ferramenta para se candidatarem aos apoios da União Europeia. A plataforma online European Textile Cooperation reúne informação sobre os programas de financiamento europeu, ao mesmo tempo que permite criar redes de colaboração para tornar os projetos nacionais mais competitivos.

Criada no âmbito do projeto European Textile Cooperation, a plataforma (acessível em http://eutextilecooperation.com) é uma iniciativa da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, desenvolvida em parceria com a associação de direito privado, sem fins lucrativos, para a representação de interesses portugueses no exterior Magellan e o Inesc-Tec Porto, onde as empresas se podem registar, obter informação sobre os programas europeus de desenvolvimento, instrumentos financeiros e contratação pública e até criar redes de cooperação com outras empresas para fazer candidaturas em consórcio.

«É possível procurar empresas pelo CAE, por pessoas, etc.», explicou António Lucas Soares, do Inesc-Tec. «Permite construir uma forma expedita de encontrar ou criar parcerias», acrescentou. O registo na plataforma é gratuito e acessível a todas as empresas, que após a inscrição podem subscrever feeds de informação sobre novos concursos, criar grupos, fazer comentários ou esclarecer dúvidas com outros utilizadores. «A ATP espera que este projeto seja mais um contributo para o desenvolvimento de redes de cooperação», afirmou Manuel Pinheiro, diretor da ATP, na apresentação interativa da plataforma, que teve lugar no passado dia 17 de junho, em Vila Nova de Gaia, e contou com a intervenção de representantes da confederação europeia da indústria têxtil e vestuário Euratex, da Universidade de Gent e da International Apparel Federation.

Durante o evento, foi especialmente destacada a importância da criação de consórcios na busca por financiamento europeu. «Existe uma concorrência acérrima por este tipo de financiamento», sublinhou na sua apresentação Joana Dias, investigadora da Magellan. «Concorrer em consórcio é muito importante», referiu. Entre 2014 e 2020, o programa europeu Horizonte 2020 conta com um orçamento que ronda os 80 mil milhões de euros destinados a apoiar iniciativas no âmbito da investigação, inovação e criação de emprego para sustentar o crescimento económico europeu.

Inovação, eficiência ambiental e competitividade e sustentabilidade são os focos destes apoios comunitários, com oportunidades em diversas áreas. «O sector têxtil na Europa é muito forte, mas para continuar a sê-lo, tem de se destacar pela inovação», afirmou Joana Dias. No âmbito do programa Horizonte 2020, as empresas da indústria têxtil e vestuário podem candidatar-se com projetos na área da investigação em nanotecnologias, materiais avançados e processos de fabrico inovadores, apontou a investigadora, que destacou ainda as oportunidades no âmbito dos concursos de contratação pública na União Europeia, que representam cerca de 19% do PIB intracomunitário. «Em Bruxelas gere-se um orçamento de um trilião de euros», revelou, por seu lado, Tiago Macedo, vice-presidente da Magellan durante a conferência. «É um grande centro de oportunidades», prosseguiu o responsável da associação para a representação de interesses portugueses no exterior, avançando com dados como 3 biliões de euros alocados em 9 mil concursos por ano. «Apelo às empresas que não tenham medo de Bruxelas. Bruxelas é um grande mercado, seja de fundos, seja de parcerias, seja como plataforma de salto para outros mercados. Não é fácil, mas não é “rocket science”», concluiu Tiago Macedo.