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Apoios à internacionalização envoltos em incerteza

Na sequência da visita de João Neves à Première Vision, onde foi abordada a questão dos apoios à internacionalização, a ANIVEC, que tem ainda um projeto conjunto com dotação orçamental para ações externas, mostra-se preocupada com a situação e solidária com as empresas e associações da indústria têxtil e vestuário.

Mário Jorge Machado, João Neves, Eduardo Augusto e César Araújo

Em comunicado, a ANIVEC assinala que «a visita do Secretário de Estado da Economia, João Neves, às mais de 60 empresas portuguesas presentes na feira Première Vision, em Paris, teve como principal tema de discussão a continuidade dos apoios do Portugal 2020, ou do tão aguardado Portugal 2030, à internacionalização do sector do vestuário e do sector têxtil».

Segundo a Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, «à principal questão colocada pela maioria dos empresários – em torno da continuidade dos apoios a fundo perdido para a presença em feiras internacionais –, João Neves respondeu não existir ainda uma data prevista para abertura dos Avisos que permitam a submissão de projetos individuais ou de projetos conjuntos por parte das entidades associativas para o próximo biénio», tendo acrescentado que «no caso de os orçamentos dos projetos das

João Neves

Associações terem sido já esgotados, o apoio aos investimentos associados à presença em feiras internacionais não está garantido, até ao momento da abertura de novo concurso».

O governante terá adiantado que «na impossibilidade de reafetar verbas não utilizadas do atual quadro comunitário, atualmente em fase de encerramento, nem da apresentação de despesas com efeitos retroativos no momento de abertura do Aviso para o próximo Portugal 2030, as empresas que não tenham projetos aprovados em execução ou enquadramento nas ações dos projetos conjuntos de internacionalização, terão que suportar na íntegra o montante total dos investimentos, não beneficiando como habitualmente de reembolsos a fundo perdido, que podem ir até aos 50% do valor investido».

O presidente da ANIVEC, César Araújo, salienta, no comunicado, que «o CENIT – Centro de Inteligência Têxtil tem atualmente um projeto conjunto a decorrer, com disponibilidades orçamentais para apoiar a presença das PME nacionais do sector do

César Araújo

vestuário e da confeção em feiras internacionais do sector, bem como em investimentos nas áreas digitais que pretendam realizar na abordagem aos desafiantes mercados internacionais».

No entanto, sublinha o mesmo documento, «o presidente da ANIVEC manifesta preocupação pela situação atual e exprime a sua completa solidariedade para com as empresas e para com as outras associações, que se veem, assim, a enfrentar dificuldades ao nível dos apoios financeiros à internacionalização».