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Aposta ganha

As colaborações entre criadores de moda e importantes empresas de artigos desportivos têm vindo a ser cada vez mais frequentes, como é disso exemplo Alexander McQueen e Stella McCartney, que desenharam peças e acessórios modernos e vanguardistas para as marcas Puma e Adidas. Esta tendência acabou por ser seguida por outros designers, entre os quais Jeremy Sott – criador oriundo dos Estados Unidos da América –, que tem vindo a colaborar com a Adidas. Na sua segunda temporada de colaboração, Jeremy Scott ficou responsável pela criação de uma das três colecções que compõem a linha “Originals by Adidas”. «Continuo a ser um criador independente» assegura, no entanto, Scott, acrescentando ainda que «esta colaboração é bastante pura e está muito próxima da minha filosofia de vida e design próprio. Todas as peças que desenhei para a Adidas são semelhantes e complementam, de certa forma, todo o meu trabalho individual». Contudo, este não é o primeiro desafio na carreira do criador, já que, em 1997, o jovem estilista chegou a Paris com uma marca muito atrevida, importando o que se fazia de mais vanguardista em Los Angeles. Com essa colecção enlouqueceu as revistas de tendências e Karl Lagerfeld, que o tomou sob sua protecção, chegando mesmo a declarar que apenas Scott o poderia vir a substituir à frente da direcção criativa da Chanel. Estas afirmações deram-lhe muita notoriedade junto dos meios de comunicação e das estrelas da música pop. Os seus designs excêntricos acabaram por ser usados por artistas como Madonna e Kylie Minogue. «Em criança, quando via televisão, tinha a ambição de poder pertencer a este mundo alucinante e de entretenimento. Não desejava ser designer de moda especificamente, mas adorava toda a cultura pop e dediquei-me a estudá-la», explica Jeremy Scott. Desta forma, a colaboração com a Adidas encerra um ciclo vital para o estilista, já que se trata de uma aliança criativa e estratégica que permitirá distribuir os seus designs de forma ampla e global, deixando, assim, os círculos mais “underground”. «Nunca quis ser underground. O meu objectivo sempre foi estar presente na vida das pessoas. Através dos meios de comunicação tive a honra de fazer com que o meu trabalho chegasse longe, mas ainda existem muitos países onde a minha roupa não se vende. Por outro lado, a Adidas está em todos os cantos do mundo, e isso muda tudo», considera o criador, assegurando, no entanto, que «sou tão genuíno que nada nem ninguém poderá tirar-me a minha identidade tão autêntica». As peças criadas por Scott para a Adidas têm preços entre os 75 euros e os 600 euros.