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Aposta no crescimento rápido

Segundo Atiur Rahman, governador do Banco Central do Bangladesh, as expectativas são elevadas em relação ao sector de vestuário no país. De acordo com o responsável, as exportações sectoriais aumentaram cerca de 30% no terceiro trimestre de 2010, com o crescimento das exportações para a UE, os EUA e também para novos mercados. Entre Julho a Setembro de 2010, as exportações de vestuário de tecido aumentaram 30% em termos de valor, enquanto as exportações de malhas cresceram 31,91% em valor, relativamente ao mesmo período de 2009. As exportações no último trimestre de 2010 também deverão evidenciar crescimento. Apesar da maior parte das exportações ainda ser enviada para a EU, seguida pelos EUA, a etiqueta “made in Bangladesh” está lentamente a chegar a novos destinos. «Durante a recessão em 2008, o governo concedeu um pacote de resgate na condição da indústria desenvolver novos mercados e novos produtos», revelou Rahman. «Neste momento, a indústria começou a exportar para novos mercados como Japão, Rússia, Arábia Saudita e Austrália. Essas exportações ainda são pequenas, mas existe potencial para crescimento, porque o nosso sector de vestuário é muito competitivo», explicou Existem também conversações com a vizinha Índia, no sentido de alargar a actual quota de isenção de taxas de 8 milhões de peças de vestuário por ano, do Bangladesh para a Índia, como adiantou Rahman. Em 2009, o sector de vestuário do Bangladesh foi responsável directo e indirecto pela subsistência de cerca de 4 milhões de pessoas, bem como por 77% das exportações totais do país no valor de 12,49 mil milhões de dólares. Em 2009, a Organização Mundial do Comércio classificou o Bangladesh como quinto maior exportador de vestuário do mundo, atrás da China, UE, Turquia e Índia. Enquanto os países menos desenvolvidos dependentes do vestuário não possuem um acesso preferencial aos EUA, a UE deverá ser mais acessível a partir de 2011. «Não temos qualquer acesso isento de direitos para os EUA para o vestuário. Em alguns casos, cobram-nos taxas mais altas do que a países desenvolvidos como a França. Estamos com bons resultados nos EUA porque o nosso sector de vestuário é altamente competitivo. O sector também espera crescimento na UE com as novas regras do SGP», afirmou Rahman. «No novo regime SGP, o tecido pode provir de qualquer lugar do mundo para se qualificar à isenção de direitos. Como importamos muito tecido, isto torna mais roupas elegíveis ao estatuto de isenção», indicou Annisul Huq, presidente do Mohammadi Group. Para além disso, o Governo do Bangladesh também começou a atacar os entraves a montante ao crescimento do sector de vestuário. Por exemplo, o trabalho nos gasodutos foi iniciado com o objectivo de aumentar o fornecimento de gás para gerar electricidade durante os próximos anos. As interrupções de electricidade são, no imediato, um entrave ao crescimento do sector. Os problemas laborais também configuram um entrave, sendo actualmente alvo de actuação por parte do governo. O objectivo é a estabilidade do sector e a transição gradual para uma produção de maior valor. Neste âmbito, estão a ser criados sistemas de segurança social e mecanismos de tomada de decisão para os trabalhadores de vestuário. Governo e representantes do sector dizem que o Bangladesh tem o objectivo de se tornar no principal destino para a produção de vestuário ao longo da próxima década.