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Apple destrona Hermès

Reconhecida pelas lojas ostentosas e preços elevados, a Apple viu as suas vendas na China crescerem 70% nos últimos três meses de 2014, registando uma margem de lucro memorável na história das corporações. O relatório do grupo de publicações e eventos de luxo Hurun Report, baseado num estudo que contemplou 400 milionários com uma fortuna avaliada em 10 milhões de iuanes (1,4 milhões de euros), oferece uma visão integrada do mercado de luxo na China com dados novos sobre as tendências atuais. O investimento em artigos para oferta baixou 5% em 2014, depois de uma aparatosa queda de 25% no ano anterior, revela o relatório do grupo Hurun Report. A justificação reside, em parte, nos esforços feitos por Pequim no sentido de contrariar a crescente corrupção que envolve os funcionários públicos do país e que tem uma repercussão direta na aquisição de produtos de luxo. A oferta de presentes faz parte da cultura chinesa e comporta uma etiqueta particular, marcada pela cortesia e reciprocidade. Em ambiente empresarial, um presente denota respeito pelo indivíduo e pelo compromisso que os envolvidos tomaram ou afigura-se como uma forma de criar e manter uma relação. Porém, os subornos representam um problema real que o governo chinês está determinado a combater, aplicando duras sanções aos transgressores, que podem mesmo enfrentar a pena de morte. À semelhança dos artigos de oferta, também o consumo de bens de luxo em território chinês registou, pela primeira vez em 2014, uma queda, que contrasta com o crescente número de consumidores que opta por adquiri-los além-fronteiras, indica a consultora Bain & Co. A aquisição de bens de luxo fora do país continua, assim, a dominar a totalidade das aquisições, com uma elevada cota de 70%. Esta é, aliás, uma tendência crescente e já considerada pelos grandes armazéns ocidentais, como Galerias LaFayette e Harrods, que dispõem nas suas instalações de áreas direcionadas à receção do cliente chinês. Libertando o primeiro lugar que ocupava em 2013, a Hermès está hoje colocada em sétimo lugar e a produtora de whisky chinês Kweichow Moutai volta a integrar o top 10, depois de uma ausência de dois anos, num sinal positivo que parece contrariar a campanha antiluxo do governo do Império do Meio. No top, a Apple é seguida pela LVMH, Kering, Gucci e Chanel.