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Aprovisionamento com ética

O grupo de retalho britânico Marks & Spencer prepara-se para lançar uma política de direitos humanos na sua cadeia de aprovisionamento, investindo na melhoria contínua da conformidade e desenvolvimento de práticas internacionais laborais e sistemas de gestão.

«A conformidade é extremamente importante, mas está a evoluir para um processo sofisticado integrado na M&S e na totalidade das nossas cadeias de fornecimento», explicou Fiona Sadler, diretora de comércio ético da M&S. Com este objetivo em mente, e na sequência da aprovação da Lei da Escravatura Moderna 2015 em março, prossegue Sadler, a M&S tem vindo a construir uma política de direitos humanos a aplicar na cadeia de aprovisionamento, que será lançada e publicada «em devido tempo». «Estamos comprometidos a respeitar os direitos humanos internacionalmente reconhecidos, com base em princípios orientadores pelas Nações Unidas sobre os negócios», explica Fiona Sadler. «E iremos também apoiar os princípios de empoderamento das mulheres traçados pela ONU», acrescenta.

Não foram revelados mais detalhes sobre a política, mas Sadler delineou uma série de domínios nos quais a retalhista britânica tem trabalhado ao longo dos últimos 12 meses, incluindo o alargamento do âmbito das suas auditorias, de forma a abranger as matérias-primas. Isto inclui a segunda camada de fornecedores de mercadorias em geral, embalamento, matérias-primas estratégicas e a sua base de oferta de propriedade no Reino Unido. «Também reforçamos as conclusões e consequências das nossas examinações, pelo que temos agora tolerância zero se ocorrerem faltas de segurança contra incêndios ou falta de comunicação no local de trabalho em qualquer um dos nossos locais de fabricação. Fortalecemos a nossa orientação sobre a conformidade, por isso removemos a ambiguidade da conformidade, produzimos sumários para o país, e realizamos agora um trabalho em oficinas de fornecedores e conferências globais», revela a diretora de comércio ético.

A M&S também aumentou as iniciativas dirigidas a múltiplos stakeholders e, como tal, tem vindo a trabalhar num programa de três anos com a Ethical Trading Initiative (ETI), no estado indiano de Tamil Nadu, investindo na erradicação de práticas de trabalho forçado em fábricas de algodão. Fiona Sadler destacou o investimento do grupo nas auditorias feitas aos seus fornecedores globais. «Nós lemos cada auditoria de cada um dos locais. Isso significa que realizamos 3.600 auditorias, o que é único. Avaliamos, também, cada um desses locais de fabricação e damos todas essas informações às nossas equipes de compra para que avaliem os nossos resultados», refere. Para a mercadoria geral – que inclui vestuário e calçado –, a M&S recorre a uma equipa de conformidade global que compreende 27 indivíduos que trabalham em países fornecedores essenciais ao grupo. A equipa despende cerca de 60% do seu tempo a resolver os problemas de não-conformidade encontrados nas auditorias e procura estabelecer programas de melhoria contínua em parceria com os fornecedores, para que eles possam gerir a sua própria conformidade.

«Porém, o panorama está a mudar na conformidade. Sabemos que a auditoria é limitada na sua eficácia, mas continuará a evoluir. Se considerarmos a evolução da qualidade, por exemplo, é necessário evoluir para a garantia de qualidade, através do estabelecimento de mudanças preventivas em todos os processos de produção ao longo dessa via. De seguida, iremos melhorar a qualidade no final da linha», assegura diretora de comércio ético da M&S. Fiona Sadler refere que um processo similar ocorre na negociação ética. «As auditorias destacam a não conformidade no final da linha. Porém, acreditamos que se aproxima o momento de adotar uma abordagem de sistemas de gestão, fazendo melhorias com essas mudanças preventivas, nos processos de todas as nossas unidades de fabricação, dos recursos humanos aos programas de indução, da comunicação no local de trabalho ao diálogo social. Só então acreditamos que as causas da não conformidade podem realmente ser resolvidas e, em seguida, atuar nos 365 dias do ano, através destes sistemas de gestão», explica.

Um desses programas incluiu a implementação do programa de telefones móveis de monitorização, Link Laboral, no ano passado, permitindo inquirir os trabalhadores nas suas fábricas fornecedoras de vestuário pelo telefone móvel ou fixo. «Inquirimos até agora mais de 75.000 trabalhadores para obter feedback sobre as suas condições de trabalho, sobre a sua formação e as suas reclamações e isso dá-nos dados muito mais precisos e mais amplos do que alguma vez poderíamos alcançar com uma auditoria tradicional», acredita. A diretora de comércio ético diz que o M&S também foi a primeira retalhista a aderir ao piloto ISO 26000, há 18 meses, uma ferramenta de orientação para a responsabilidade social nas práticas da cadeia de aprovisionamento. «Acreditamos que estamos agora a rumar a uma área mais entusiasmante na conformidade, no desenvolvimento das práticas internacionais do trabalho e sistemas de gestão», conclui.