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Aptidões digitais e formação são prioridade

Um novo estudo mundial concluiu que, embora ainda haja necessidade de competências fundamentais na indústria de vestuário, há uma enorme lacuna nas chamadas aptidões “do futuro” que combinam digitalização 3D e análise de dados com habilidades mais técnicas.

[©Pxhere]

Antes do Covid, tanto a sustentabilidade como o sourcing estratégico eram uma prioridade, mas desde que a pandemia afetou a indústria de vestuário, as capacidades de criação digital surgem no topo da lista, segundo a Alvanon, especialista em tecnologia de fitting, e a plataforma de e-learning Motif.

As empresas estabeleceram uma parceria com 19 organizações de vestuário para realizar este inquérito e medir o pulso ao sector em termos de investimento em aptidões por parte dos profissionais e empresas de vestuário.

Os resultados foram revelados no estudo “The State of Skills in the Apparel Industry 2020”, que representa a visão de 900 profissionais de vestuário ao longo de toda a cadeia de valor.

Entre as conclusões estão a mudança das prioridades das empresas, apesar do investimento não estar a corresponder às necessidades. Para trabalhadores em funções técnicas, não há o desenvolvimento suficiente a meio da carreira, o que está a aumentar a insatisfação.

Ao mesmo tempo, a existência de talentos na indústria está a diminuir, devido à reforma de trabalhadores, falta de recursos de formação profissional de qualidade e escassez de sangue novo com capacidades relevantes.

A formação dos funcionários e o desenvolvimento de aptidões continuam a ser as grandes prioridades das empresas, com 90% dos inquiridos a classificarem estas questões como muito importantes ou importantes, seguida de práticas de sustentabilidade (89%) e do sourcing estratégico (87%).

Para responder ao desejo de melhorar a eficiência da cadeia de aprovisionamento, a rapidez em chegar ao mercado foi também uma das prioridades enunciadas pelos inquiridos, com 79% a classificá-la como importante ou muito importante.

A oportunidade do 3D

A digitalização está igualmente a emergir como um tema central em 2020, com as empresas a procurar usá-la como forma de tornar as cadeias de aprovisionamento, em rápida evolução, mais eficientes.

[©Wikimedia Commons/Wanda Wonders]
«Há oportunidades significativas para os negócios impulsionarem as vantagens competitivas através de uma maior digitalização na cadeia de aprovisionamento, sobretudo através do design e desenvolvimento 3D», indicam os autores do relatório. «A digitalização tem a capacidade de reduzir os tempos de entrega e ajudar a levar os produtos mais rápido para o mercado, mesmo numa altura em que as pessoas são forçadas a trabalhar remotamente», acrescentam. «À medida que os negócios emergem da pandemia, vão ter de reavaliar a sua relação com a cadeia de aprovisionamento e considerar a digitalização como forma de ganhar mais controlo. Isso deverá provavelmente significar cadeias de aprovisionamento mais curtas através do regresso da produção ao país ou nas proximidades, o que significará mover a produção para mercados com custos laborais mais altos. Estes custos mais elevados vão ter de ser compensados por uma maior automação e tomada de decisões com base em dados para maximizar o lucro», apontam.

O problema da qualificação

Por outro lado, encontrar pessoas com as qualificações necessárias continua a ser um problema, com 57% dos inquiridos a revelarem ter dificuldade em preencher determinadas posições devido à falta de recursos humanos qualificados, uma ligeira melhoria em comparação com a taxa de 62% do inquérito de 2018.

«Temos falta de pessoas qualificadas para impulsionar o nível de mudança necessário dentro da indústria. E até recentemente, não havia os formadores e a formação certa para as pessoas no mercado», sublinha Jackie Lewis, diretor de desenvolvimento de formação na Motif.

No estudo deste ano há mais empresas à procura de atualizar as aptidões dos trabalhadores que estão ao seu serviço, com 46% a afirmar que tal é uma prioridade, que se revela ainda mais importante para empresas mais pequenas, com 53% a focarem-se em melhorar as qualificações dos trabalhadores.

Para além de darem formação para apoiar as necessidades de custo prazo, as empresas estão a investir em aprendizagem contínua para se manterem atualizadas com a tecnologia e as tendências mais recentes (56%), para gerir a satisfação dos funcionários (44%) e porque é difícil encontrar as qualificações certas (44%).

[©Pixabay]
A principal constante entre o estudo de 2018 e o de 2020 é a insatisfação generalizada com a formação dada pelas empresas. Apenas 34% dos inquiridos no estudo deste ano, em todos os níveis e funções, afirmam estar satisfeitos. Em 2018 eram 38%.

Para as empresas, continua a haver uma lacuna entre a escala de desafios que estão a enfrentar e o investimento que estão a fazer para criar resultados positivos. Os orçamentos não estão a permitir um aumento do investimento. Tal como em 2018, apenas 25% registaram um aumento do investimento nos últimos anos e apenas 33% antes do Covid antecipavam um aumento nos anos seguintes.

«Enquanto indústria, precisamos de agentes de mudança nas organizações – indivíduos, equipas, executivos que sejam capazes de repensar funções e processos e trabalhar de forma diferente», explica Catherine Cole, CEO da Motif. «Isso pode ser um processo disruptivo. Para isso, precisamos de pessoas com um novo tipo de capacidades. É altura de repensar e reinventar os papéis – dentro das empresas e dentro das carreiras», conclui.