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Armani e a sucessão

Os criativos que estão por detrÁs da fundação das grandes marcas de moda têm que se preparar para abandonar as suas empresas, mesmo que isso signifique algum sofrimento. Quem o diz é Giorgio Armani, um dos nomes mais sonantes e veteranos do mundo da moda, cujo futuro da sua empresa poderÁ passar pela venda ou pela entrada de investidores no seu capital. é doloroso, mas temos que ter a coragem de –, após o termos feito –não nos queixarmos do acontecimento», afirmou Armani. No caso de termos atingido determinada idade ou na eventualidade do mercado exigir uma mudança radical de estilo, é extremamente difícil que alguém que criou a empresa se afaste da mesma». Armani, conhecido pelo seu apurado sentido para o negócio, tem sido bastante mais vago quanto ao futuro do seu grupo do que outros designers da sua geração. Valentino Garavani, por exemplo, reformou-se em Janeiro deste ano após a venda do grupo à capital de risco Permira. Capitais de risco essas classificadas como exploradoras» pelo designer italiano. Para Armani, o facto de ainda não ter escolhido um sucessor deve-se a não ter ainda tomado todas as decisões: ainda não me pus perante o problema, nem pesei os prós e os contras das diversas opções». Por outro lado, o designer italiano considera que a sua organização irÁ sobreviver para além do seu criador. Armani considera que ficaria tão confortÁvel se o seu grupo fosse gerido por terceiros, como se sentiu confortÁvel a ter nas suas mãos a definição do estilo, da estratégia e a propriedade da empresa que criou. Armani é considerado por muitos como o último dos grandes estilista de uma era antes da moda se ter tornado global, altamente influenciada pelas questões comerciais e em que a gestão tanto pode ser levada a cabo por executivos financeiros ou de marketing como por estilistas de renome. Para o criador de moda italiano é bastante complicado para os novos estilistas assumirem a direcção criativa de “ícones intocÁveis” do mundo da moda. Alessandra Facchinetti, por exemplo, nem um ano esteve à frente da Valentino após a saída do fundador da marca. O fundador estÁ ligado à marca e representa o seu estilo. Quando se pensa na substituição do fundador, coloca-se sempre a questão da mudança do estilo», afirmou Armani. Os jovens criadores possuem todo o talento necessÁrio, mas quando todo o sistema estÁ montado em prol dos ícones intocÁveis que absorvem todo o oxigénio da marca, a sua carreira poderÁ morrer». Giorgio Armani proferiu estas declarações após os acontecimentos que levaram à dispensa de Alessandra Fachinetti da Valentino. Uma decisão que tem vindo a ser criticada quer pela forma como ocorreu, quer pelo momento em que aconteceu (ver Valentino nomeia novos criativos).