Início Arquivo

Arte Marcial vestida por Portugal

Se fosse praticante de artes marciais ou desportos de combate e se até há dez anos atrás pretendesse comprar um equipamento ou acessórios para as modalidades de boxe, kung-fu, ou karaté, entre outras artes semelhantes, verificava que o mercado era praticamente todo dominado por marcas estrangeiras – sobretudo americanas, como a famigerada EverLast -, fiáveis, mas muito dispendiosas.Começaram então, timidamente, a aparecer algumas marcas orientais, mas que não aliavam ao baixo preço a fiabilidade das primeiras, tornado este mercado bi-polar. Na prática, o atleta, ou empenhava todas as suas poupanças num investimento inicial muito significativo, ou arriscava-se a visitar a loja de desporto semestralmente para substituir os perecíveis utensílios do Oriente. E foi esta lacuna de mercado que foi observada há seis anos por Gil Araújo (também praticante destas artes), lançando a empresa Creative Sign, detentora da marca XinTiger, atacando este mercado no segmento médio, com base na criatividade do design, qualidade dos materiais e confecção, e no preço, o que lhe permitiu já estar presente em 40 pontos de venda SportZone, no El Corte Inglés em Lisboa, e estar a negociar a entrada nas grandes cadeias de retalho desportivo espanhol Fórum Sport e Sprinter. Neste segmento de artigos muito semelhantes «ainda é possível inovar no design e na confecção», refere Gil Araújo, líder desta «micro» empresa com apenas seis elementos ao PortugalTêxtil (PT), mas com uma conquista significativa no retalho desportivo, levando mesmo algumas destas cadeias a diversificar e investir neste artigos, dada a pequena mas já qualitativa concorrência indoors. Para além do design, a XinTiger também inovou por ser a primeira marca deste artigos a apresentar a sua composição na etiqueta de identificação, «inédito, talvez só explicado por ser um nicho muito particular», e a dar garantias dos produtos vendidos, «o que mais nenhuma marca faz», pelo que o empresário concede que «revolucionámos este mercado». A gama de produtos vai desde os quimonos, luvas, cintos, capacetes, até outros acessórios, quer para combate, quer complementares, como sacos e mochilas. As matérias-primas são compradas no Oriente, sobretudo no Paquistão, na Tailândia e na China, e em parte confeccionadas em Portugal, colocando 50 mil artigos no mercado. A marca de artes marciais e desportos de combate ocupa 80% da capacidade da empresa Creative Sign, pois tem também uma marca de vestuário infantil – a Makao –, presente em Portugal e em Espanha, e com intenções de ir para Itália, Reino Unido e para França, depois de duas edições na FIMI (Espanha) e de se estrear nos mercados na Escandinávia, em Fevereiro, na 26ª edição da Ciff na Dinamarca. No futuro, «a Makao não vai ser só uma marca de vestuário infantil que se diferencia com base no design; temos um conceito por trás que queremos desenvolver, mas embora os resultados para já tenham sido bons, a empresa ainda é muito jovem e queremos crescer sustentadamente, com um passo de cada vez». Os seis elementos da Creative Sign foram responsáveis por 300 mil euros de volume de negócios em 2005, mais 30 por cento do que em 2004, e Gil Araújo adianta ao PT esperar que a presente aposta na internacionalização e a possibilidade (já à vista) de uma parceria internacional para a gestão e expansão da marca lhe permita «um aumento do volume de vendas para 2006 de 100 por cento».