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Arteixo aqui tão perto

A assinatura do protocolo de geminação de Vila Nova de Famalicão com Arteixo aproxima a cidade que acolhe a sede do Grupo Inditex da região Norte de Portugal. Uma ligação que pode abrir uma nova via de negócios em Espanha para as empresas portuguesas.

«Há muito a ganhar com esta aproximação», afirmou o presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, na cerimónia de assinatura do protocolo de geminação, que decorreu sexta-feira, 8 de abril, na cidade minhota. Assumindo que esta era «uma ambição que eu e o alcaide de Arteixo fomos construindo nos últimos anos», foi a indústria têxtil que aproximou particularmente as duas cidades. «Os nossos concelhos têm muitas coisas em comum», admitiu o alcaide de Arteixo, Carlos Calvelo. «Começámos como um concelho agrícola e transformámo-nos num concelho industrial. Foram-se implantando empresas de grande importância e é um orgulho para o concelho de Arteixo ser a sede da Inditex», sublinhou.

Para Carlos Neves, vice-presidente do CCDR-N, igualmente presente na cerimónia, que teve lugar no Salão Nobre do Edifício da Câmara Municipal, efetivamente «o sector têxtil é estratégico para ambos os concelhos». Acreditando que esta é a melhor eurorregião», Carlos Neves afirmou que «o sector têxtil é indiscutivelmente um exemplo dessa cooperação 2.0 [que se traduz em iniciativas concretas] que a região tem para mostrar. Temos a maior concentração de profissionais a trabalhar no sector a nível europeu».

É com este ponto de partida que as duas cidades pretendem construir novas pontes de entendimento e negócio. «A nossa responsabilidade a partir de hoje é criar condições, do ponto de vista da animação do protocolo de geminação, para que ele produza efeitos e traga vantagens para a comunidade, o que vai acontecer através de um processo que vamos iniciar de permanente contacto e relacionamento, envolvimento dos nossos atores, empresários e não só, para que este protocolo seja aproveitado», explicou Paulo Cunha.

Na área específica do têxtil, Carlos Calvelo considera que a parceria pode começar pela «análise do que é a atividade da Inditex, por exemplo. A Inditex produz muito em Portugal – é uma análise importante que tem que se fazer. A Inditex pode aumentar a sua produção aqui em Portugal, em Famalicão. Pode ser que as empresas de Famalicão ofereçam oportunidades nesse sentido que possam integrar melhor a Inditex», exemplificou. No sentido inverso, «nós podemos adquirir um pouco a experiência que há aqui em Famalicão – o centro tecnológico da moda é muito importante para nós, assim como a universidade que existe cá. Na Galiza não há nenhum centro dedicado à educação de desenvolvimento têxtil, não há escolas têxteis e podemos aprender um pouco mais com as experiências que temos aqui», indicou. «Se conseguirmos que essa relação com a Inditex ou outras empresas que Arteixo tem no sector têxtil, podemos ter mais oportunidades de negócio, que afinal é o objetivo: que a balança económica possa favorecer tanto o concelho de Arteixo  como o concelho de Famalicão», concluiu o alcaide.

Importância traduz-se em números

Assumindo-se como um concelho industrial, Vila Nova de Famalicão é um dos centros do cluster têxtil português. Os números da autarquia, que cita o Instituto Nacional de Estatística, apontam para 807 empresas neste sector em 2013, que juntas registaram um volume de negócios de 693 milhões de euros, exportaram 408 milhões de euros e deram emprego a mais de 11 mil pessoas.

Já a Galiza conta com 1.319 empresas na indústria têxtil e vestuário, empregando 13 mil pessoas e registando um volume de negócios de 1,3 mil milhões de euros, segundo um estudo encomendado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galicia – Norte de Portugal à ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e à Cointega – Confederación de Industrias Textiles de Galicia, apresentado após a assinatura do protocolo. «Famalicão e Arteixo têm um elemento comum muito forte: o têxtil. Portanto, colocamos o foco no têxtil. Da cooperação com estas duas associações fomos vendo que passos podíamos dar e avançamos com os estudos», justificou Maria Geraldes, diretora do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galicia – Norte de Portugal.

«Os eixos prioritários [da ITV da Galiza] apresentam muitas semelhanças com os nossos eixos estratégicos», referiu Ana Paula Dinis, da ATP, durante a apresentação, destacando questões como o financiamento das empresas, o capital humano, o empreendedorismo, a tecnologia e a internacionalização. Além disso, destacou, «nos últimos dois anos Portugal mais do que duplicou o valor dos produtos que vende à Galiza», que atingiu 585 milhões de euros em 2014.

Para Alberto Rocha, secretário-geral da Cointega, «o importante é ter empresas complementares» dos dois lados do Rio Minho.