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As aposta de Tory Burch

Na eminência do lançamento da sua nova coleção, a designer americana Tory Burch, explica a estratégia subjacente à sua muito esperada marca, Tory Sport.

O termo athleisure – que combina os conceitos de desporto e lazer – é um segmento crescente, em popularidade e dimensão. As vendas globais de vestuário para prática de atividade física atingiram os 41,3 mil milhões de dólares nos 12 meses até julho de 2015, representando um aumento de 17% face ao ano anterior. E, embora algumas marcas se tenham apressado a incluir uma linha desportiva, nenhuma foi tão falada como a Tory Sport, desenvolvida pela designer Tory Burch, e que contempla diversas peças, dos leggings aos anoraques, incluindo saias de ténis e calças de fato de treino.

Burch escolheu a recente semana da moda de Nova Iorque para apresentar a nova linha, lançando-a na sua boutique de estreia, localizada no bairro nova-iorquino de NoLita. O espaço foi transformado numa pop-up Tory Sport, concebida em parceria com a artista Kate McCollough, reconhecida pelas suas instalações artísticas. Retratos de mulheres envergando a coleção, da autoria da artista Kelly Marie Beeman, celebrizada pela rede social Instagram, decoram as paredes, enquanto máquinas de venda automática recheadas de revistas vintage e bolas de ténis da marca Tory Sport lhe conferem um ambiente de inovação.

«Estava um pouco entediante ao fim de 11 anos, transformei todo o interior», explicou Burch. O evento assinalou a divulgação pública de um produto desenvolvido ao longo de três anos pela designer e executiva, que considera esta coleção a sua própria start-up.

Não ao “athleisure”
Tory Burch detesta o termo athleisure, optando por denominar a sua coleção paralela – que inclui malhas técnicas, camisolas de gola alta e saias inspiradas no estilo dos anos de 1970 – como “Come and Going” (Indo e Vindo, em tradução livre). «Ocorreu uma mudança na forma como as mulheres se vestem», afirma Burch. «O mercado de activewear está saturado a vários níveis, mas acredito que temos uma perspetiva verdadeiramente diferente. Pegámos no conceito desse mercado e abordámo-lo na perspetiva da qualidade, dos tecidos, do fit e do design. Trata-se também de combinar a funcionalidade e o estilo e creio que isso não existe, atualmente, de forma significativa e integradora», acrescenta.

Relação com o consumidor
Tory Burch lançou sua marca epónima em 2004, com uma pequena boutique na cidade que nunca dorme. Embora o sector grossista constitua uma parte substancial da estratégia de longo prazo da Tory Sport, a linha está disponível apenas através de canais próprios da marca, que permitem a venda direta ao consumidor. «Não quero que esteja disponível em todos os lugares desde o início», revela Burch. «Quero aprender sobre o espaço e quero proteger a marca», explica. De momento, serão produzidas duas coleções por ano, com entregas a cada seis semanas.

Integridade do design
A designer despendeu três anos a aperfeiçoar a coleção, garantindo a constituição da equipa perfeita e a monitorização da qualidade desejada. «Foi duro», reconhece. «Houve muitos arranques e paragens. Precisávamos de trabalhar com as fábricas certas», explica. O resultado são peças tecnicamente proficientes – confecionadas com tecidos que absorvem o suor e repelem a água –, tendo sido conferida igual atenção à estética das mesmas. «Queria que a funcionalidade estivesse presente, mas pretendia também assegurar a integridade do design», afirma. «Estão presentes diversos detalhes e funcionalidades técnicas, mas quando observei atentamente o mercado de desporto, apercebi-me que o fecho é o mais importante. Pareceu-me um pouco exagerado», acrescenta.

Porto seguro
Apesar da marca Tory Sport estar intrinsecamente ligada à principal coleção de Burch, apresenta um logotipo diferente, que foi projetado internamente, e uma estética ousada, inspirada, em parte, pelo tenista sueco Björn Borg e pelo filme “Os Tenenbaums – Uma Comédia Genial”. «Nunca pretendi que esta iniciativa diluísse a marca principal», ressalva. «Não acredito, verdadeiramente, que as linhas secundárias funcionem», conclui.