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As aranhas invadem a área têxtil

Foi descoberta em laboratório uma forma de reproduzir seda de aranha, a fibra mais resistente que a ciência conhece. A descoberta – feita por uma companhia canadiana de biotecnologia que colabora com os investigadores do exército dos EUA – abre a possibilidade de produzir seda artificial de aranha em grande escala para aplicações desde roupa de protecção, a meias que não se rompem. Os cientistas de Nexia Biotechnologies, Montreal, e o comando químico-biológico do exército dos EUA em Massachusetts, alcançaram o que muitos outros investigadores falharam, introduzindo genes da aranha em culturas de células de vaca e de hamster. Estas células produzem proteínas iguais às produzidas pela aranha. Através de uma técnica especial os cientistas conseguiram pôr estas proteínas em linha e esta tem quase a força e a flexibilidade das fibras das teias de aranha. Mas a produção em cultura de células de mamíferos é apenas um primeiro passo. Segundo a Nexia, a fase seguinte para a comercialização será criar as proteínas da seda de aranha no leite de cabras geneticamente manipuladas. As proteínas mantém-se dissolvidas no leite até que sejam retiradas em linhas insolúveis, forçando a solução por uma abertura muito fina que imita a glândula de seda de uma aranha. “Nós e outros temos trabalhado na seda da aranha há um tempo considerável e ficamos excitados por ter finalmente a oportunidade de gerar sedas sintéticas e, agora, avançar na direcção de aplicações reais”, diz Jean Herbert, líder da equipe da ciência de materiais do exército dos EUA. Mesmo que as aranhas vivas individuais possam ser estimuladas para girar uma seda natural, esta opção não é economicamente rentável porque as criaturas são demasiado ciosas de seu espaço para prosperar “em viveiros de aranhas”. Comem-se umas às outras quando mantidas em conjunto. A “corda de arrasto” que incluiu os raios de uma teia de aranha é três vezes mais resistente do que as fibras de aramida usadas nos coletes à prova de bala e cinco vezes mais fortes – pela relação peso/força – do que o aço. Compreende-se que Jeffrey Turner, presidente de Nexia, esteja entusiasmado com este material, a que a sua companhia chama BioSteel. “É incrível que um animal tão pequeno que se encontra em quase todos os sítios possa criar um material tão extraordinário usando apenas aminoácidos, os mesmos materiais que são usados para formar a pele e o cabelo.”