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As boas-novas da Zara

O lado verde – do dinheiro e da sustentabilidade – da Zara ganhou renovada força. A retalhista espanhola apresentou recentemente a nova coleção sustentável “Join Life”, e, entretanto, os resultados do primeiro semestre bateram as expectativas.

A nova linha de vestuário, já à venda, é produzida a partir de materiais que respeitam o bem-estar animal e o meio ambiente. O algodão orgânico, a lã reciclada e o liocel servem de pilares às propostas de “Join Life”. «O objetivo é que os nossos produtos sejam cada vez mais sustentáveis», destaca a marca em comunicado divulgado pelo portal Just-style.

À margem da coleção, os consumidores estão também a ser encorajados a devolver artigos de vestuário que já não usem nas lojas da retalhista de forma a serem reciclados.

Para que um produto possa integrar a linha Join Life deve satisfazer três critérios:

1 – Todas as fábricas que trabalham o tecido primário são avaliadas pelo Green to Wear Standard (norma de sustentabilidade ambiental do grupo Inditex) e precisam de obter uma classificação A-Best ou B-Good ou ter um plano de melhoria contínua com prazos ambiciosos.

2 – O tecido primário utilizado no produto deve ser fabricado recorrendo às tecnologias Green to Wear do grupo Inditex e uma matéria-prima classificada como “Better” ou “Best”.

3 – Os fornecedores devem ter uma classificação A ou B ou ter um plano de melhoria contínua com prazos ambiciosos na auditoria social.

«O nosso objetivo é garantir que todos os nossos produtos sejam sustentáveis em todas as fases do seu ciclo de vida», destaca a empresa.

A nova linha, bem como o conceito e as iniciativas que a orbitam, é parte de uma estratégia mais ampla do grupo fundado por Amancio Ortega para assegurar que todos os processos – dos fornecedores às lojas – sejam ambientalmente conscientes.

Em julho, a empresa assinou um acordo exclusivo com a produtora de fibras Lenzing para a fabricação de matérias-primas premium a partir de excedentes têxteis, como parte do compromisso da gigante da moda espanhola para com a economia circular.

A medida faz parte do novo Plano de Estratégia Ambiental 2016-2020 do grupo Inditex. Neste campo, o grupo revelou ainda que tem vindo a patrocinar a investigação tecnológica para o desenvolvimento de novas fibras têxteis a partir de vestuário reciclado.

Imparável nos números

No plano financeiro, o grupo Inditex superou entretanto as previsões dos analistas para o primeiro semestre. O grupo espanhol abriu novas lojas em 38 mercados durante o primeiro semestre, incluindo o lançamento da Zara no Vietname, no dia 8 de setembro.

Em declarações ao portal Just-style, o presidente-executivo do grupo Inditex, Pablo Isla, destacou «a importância do modelo que integra plenamente lojas físicas e online», enfatizando o investimento tecnológico que está a ser feito pela empresa nesta área. «Tanto as nossas lojas online como as lojas físicas estão perfeitamente conectadas, impulsionadas por plataformas como o pagamento móvel e outras iniciativas tecnológicas que vamos continuar a desenvolver», acrescentou.

A estratégia parece compensar. Com efeito, o lucro operacional da Inditex subiu 8% para 1,61 mil milhões de euros nos seis meses até julho, com o lucro líquido a crescer 7,7% para 1,26 mil milhões de euros. As vendas do primeiro semestre aumentaram 16% em moedas locais para 10,47 mil milhões de euros e as vendas comparáveis da gigante do retalho experimentaram também uma subida a dois dígitos, na ordem dos 11%.

Apesar de o crescimento das vendas ter abrandado no terceiro trimestre comparativamente à matemática imparável do primeiro semestre, os números ainda batem os das retalhistas arquirrivais.

Parte desse crescimento é fomentado pelo mercado interno. Apesar de ter um raio de alcance mundial, o grupo ainda faz cerca de 20% das suas vendas em Espanha. A recuperação da economia do país vizinho, onde os números oficiais mostram o mercado de vestuário com uma subida de 3% no trimestre até julho, está a impulsionar o crescimento da Inditex.

Todavia, houve alguns pontos negativos no último relatório, consequência das oscilações cambiais. O dólar forte aumentou os preços do vestuário com origem nos mercados asiáticos, enquanto as moedas fracas nos principais mercados prejudicaram também as vendas. Ainda assim, as questões de aprovisionamento penalizam menos a empresa do que a concorrência, uma vez que os analistas estimam que a empresa-mãe da Zara faça cerca de 65% dos produtos em localizações próximas, como Portugal, Turquia, norte de África e Espanha, em comparação com rivais que colocam cerca de 80% do seu aprovisionamento na Ásia.