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As boas perspetivas do Banco Mundial

Recentemente divulgado, o relatório “Global Economic Prospects” do Banco Mundial aponta para um crescimento global na ordem dos 3,1% em 2018, valor alavancado pela recuperação dos investimentos, da atividade produtiva e do comércio.

O crescimento, no entanto, estará limitado a um curto prazo, alerta o relatório consultado pelo portal Retail Dive. A longo prazo, o Banco Mundial prevê uma desaceleração no crescimento da produção, quer nas economias avançadas, quer nos mercados emergentes e em desenvolvimento, o que poderá vulnerabilizar a economia global.

As previsões de crescimento das economias avançadas apontam para os 2,2% este ano, à medida que os níveis de investimento se vão estabilizando. Contudo, as projeções aumentam para os 4,5% relativamente às economias em desenvolvimento, com a atividade exportadora a recompor-se.

«De forma a travar e, possivelmente, reverter o declínio do potencial de crescimento, os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento devem acelerar o investimento», refere o relatório.

Não obstante, qualquer alteração das condições de financiamento global ou um súbito aumento da volatilidade financeira poderá despoletar uma turbulência financeira e, eventualmente, retrair a expansão. A escalada do protecionismo comercial e o risco geopolítico poderão, também, afetar negativamente a confiança, o comércio e, no geral, a atividade económica.

A principal prioridade, aponta o relatório, deve ser as políticas estruturais que incentivem o crescimento e potenciem a melhoria da qualidade de vida.

Nos EUA, o crescimento pode atingir os 2,5% em 2018 e, depois, deve moderar nos 2,1% em 2019/2020. A baixa participação laboral e a fraca produtividade continuam a ser os principais entraves ao crescimento no longo prazo.

No leste asiático e no Pacifico, apesar das dificuldades inerentes à retoma conjuntural, as projeções apontam para um crescimento moderado até aos 6,2% em 2018, situando-se nos 6,1% em 2019/2020, com um abrandamento estrutural na China a sobrepor-se à recuperação modesta na restante região.

Na Europa e na Ásia Central, estima-se que o crescimento tenha acelerado até aos 3,8% em 2017, 1,3 pontos percentuais acima das projeções de junho, refletindo uma recuperação mais forte do que a prevista na região – inclusivamente na Polónia, Rússia e, particularmente, na Turquia –, principalmente devido a uma sólida procura doméstica. O crescimento deverá desacelerar para os 2,9% em 2018, uma vez que a recuperação da Turquia deverá moderar e parar nos 3% em 2019/2020. Esta perspetiva reflete uma recuperação contínua na parte oriental da região, impulsionada pelos exportadores de matérias-primas.

No sul da Ásia, o crescimento manteve-se em 2017, nos 6,5%, abaixo das previsões de junho. Espera-se que o crescimento suba para os 6,9% em 2018 e estabilize em torno dos 7,2% em 2019/2020.

Os principais riscos para as estimativas do Banco Mundial incluem desvios fiscais (Bangladesh, Maldivas, Paquistão), um recuo na implementação de reformas para melhorar os balanços do sector corporativo e financeiro (Bangladesh e Índia), o aumento abrupto da volatilidade dos mercados financeiros globais e interrupções causadas por acidentes naturais.