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As chaves de Milão

Agora que, em Paris, a comunidade moda internacional se começa a despedir da azáfama dos desfiles e apresentações das coleções dedicadas ao outono-inverno 2017/2018, é tempo de rever Milão e as propostas de nomes como Gucci, Versace, Fendi e Prada ou, fora do calendário oficial, da Dolce & Gabbana e de selecionar as tendências-chave da passerelle milanesa.

O alinhamento dedicado à próxima estação fria teve algumas surpresas, sobretudo com a chegada de seis novos nomes ao calendário – como a marca chinesa Angel Chen, convidada no âmbito do Mercedes-Benz International Designer Exchange Program; a Xu Zhi (sediada em Londres), fundada pelo criador Xuzhi Chen, convidado de Giorgio Armani; a Annakiki, cuja designer Anna Yang acaba de abrir um atelier em Milão; a marca Situationist do designer georgiano Irakli Rusadze, que desfilou também pela primeira vez em Milão convidado pelo salão White Milano, e a Vionnet, a histórica casa francesa cujo leme criativo pertence atualmente a Goga Ashkenazi, que abandonou Paris para integrar a edição milanesa.

A edição outono-inverno 2017/2018 foi também marcada pela ausência da Roberto Cavalli, em fase de reestruturação e cujo diretor criativo Peter Dundas saiu em outubro passado, bem como das jovens marcas San Andres Milano e Piccione.

Três outras marcas decidiram trocar Milão por outros destinos: a Philipp Plein escolheu Nova Iorque, a Ports 1961 preferiu Londres e a Uma Wang optou por Paris, onde desfilará na sexta-feira, 3 de março. Por fim, a Giamba, linha jovem de Giambattista Valli, que havia entrado no calendário oficial na temporada passada, bateu em retirada.

Quanto à Dsquared2, a marca dos gémeos canadianos Dean e Dan Caten, preferiu apresentar as duas coleções (homem e mulher) num desfilhe misto durante a última semana de moda masculina, em janeiro.

Inversamente, a Gucci e a Bottega Veneta, que desmarcaram o encontro de janeiro, apresentaram desfiles mistos a 22 e 25 de fevereiro, respetivamente.

Encerradas as festividades, eis as tendências deixadas pela passerelle milanesa.

Flores de inverno

Ainda que em fevereiro, a cidade italiana famosa pelos seus céus cinzentos desabrochou para receber a comunidade moda. As flores animaram vestidos, saias, casacos e lenços, da Gucci à Fendi, da Alberta Ferretti à Fausto Puglisi.

As modelos da Dolce & Gabbana – casa que convidou “pessoas reais”, entre bloggers, atrizes, influenciadores sociais e respetivas famílias, para desfilar a sua coleção “New Renaissance” – não só tinham rosas nos vestidos, mas pétalas e folhas no cabelo, enquanto a Marras encaminhou modelos com vasos para a passerelle.

Soutiens em passerelle

As peças de underwear há muito deixaram o perímetro do quarto e chegaram às ruas. A marca de lingerie de luxo La Perla abriu as hostilidades em Nova Iorque, onde os espartilhos encontraram o pronto-a-vestir. Já em Milão, a Prada sugeriu um soutien em crochet usado apenas com calças, a Marni levou soutiens e biquínis costurados sobre os vestidos e a Philosophy di Lorenzo Serafini ofereceu um híbrido soutien-corpete.

Little “Red” Dress

Em Milão, o intemporal “Little Black Dress” (pequeno vestido preto) foi substituído pelo vermelho, cor que tem vindo a assumir-se particularmente popular nesta temporada de desfiles (ver Londres vai eclética e experimental).

Karl Lagerfeld jogou com as transparências na Fendi e a No. 21 propôs looks em camadas, com os vestidos combinados com calções. A Max Mara, por seu lado, fez desfilar silhuetas encarnadas oversized, numa fusão de elegância e sensualidade.

Zoologia

Graças às mostras de marcas como a Gucci e Vionnet, a passerelle milanesa chegou a rivalizar com um jardim zoológico. Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, levou morcegos, raposas e lobos para a coleção, a Vionnet escolheu estampados de pássaro em vestidos de seda e a Dolce & Gabbana preferiu gatos e ursos. Mais do que isso, os animais de estimação fizeram pequenas aparições nas passerelles da Dolce & Gabbana e da Marras.

Declarações políticas

Se a semana da moda de Nova Iorque se revelou o meio ideal para passar diferentes mensagens políticas (ver Política desfila em Nova Iorque), as casas de moda italianas não deixaram de se esforçar por fazer ouvir a sua voz.

Em defesa dos direitos da mulher saíram a Missoni, que terminou o desfile com modelos em gorros cor-de-rosa, e a Versace, que estampou slogans em chapéus, lenços e nas costas das camisas com palavras como “unidade”, “amor”, “lealdade” e “poder”. O desfile da Marras, por sua vez, contou com a presença da feminista radical de 73 anos Benedetta Barzini.

Nova geração de designers

Entre as grandes marcas de luxo na semana de moda de Milão esteve uma nova safra de designers independentes. Attico, Sara Battaglia e F.R.S (For Restless Sleepers) são marcas relativamente novas, considerando a pesada herança do calendário de moda da capital, mas estão já abrir o caminho para uma nova estética italiana. Cada uma das marcas mostrou as coleções em intimistas apresentações, em vez de desfiles de passerelle, e conquistaram os gostos de nomes como Malina Joseph Gilchrist, jornalista da T Magazine do The New York Times, que as adjetiva de «emocionantes».