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As consequências depois da euforia

No futuro próximo, Danny Meyer, sócio de vários restaurantes para a classe alta em Nova Iorque, quer abrir uma simples churrasqueira. A designer Norma Kamali vendeu o mobiliário luxuoso, assim como a sua roupa de alta costura, e deixou o seu apartamento luxuoso para viver num apartamento muito mais simples. A actriz Liz Hurley deixou de apresentar os produtos de Estée Lauder em roupa extravagante de Versace, e, agora, aparece com uma saia e uma camisola simples. O designer Wolfgang Joop escreveu já sobre esta situação na revista alemã Der Spiegel e criticou a tendência exagerada para adquirir produtos de luxo só para fingir que se tem nível. Agora, os problemas nas bolsas, a falha da nova economia e a recessão económica acabam com o período de forte crescimento que os economistas e os meios de comunicação social tinham previsto para o futuro próximo antes de este ter qualquer possibilidade de começar. O terrorismo, a guerra e o Anthrax acabaram com a vontade das pessoas de comprar produtos de luxo. Depois de um ano de recordes financeiros, as grandes empresas de artigos de luxo, como, por exemplo a LVMH, Escada e Gucci prevêem quedas consideráveis para o ano económico de 2001. O ano de 2000 foi o ano de ouro para as empresas de artigos de luxo. No Natal de 2000, nos Champs Élysées em Paris, podiam ver-se turistas japoneses ansiosos por comprarem qualquer produto na loja de LVMH. Durante várias horas, esta loja teve de encerrar por causa do excesso de frequência. No fim, a gerência tomou a decisão de vender uma só peça a cada pessoa. Os produtos mais desejados foram carteiras por cerca de 1000 euros ou malas por 3000 euros. O novo milénio começou bem para os produtores de artigos de luxo e a vontade dos clientes em adquirirem os seus produtos era muita. Quase todas as grandes empresas de roupa conseguiram aproveitar esta tendência no mercado. O crescimento médio do volume de vendas deste ramo foi de 17%. No ano 2000, a LVMH, dona das marcas Dior, Louis Vuitton, Lacroix, Givenchy e Donna Karan, teve um volume de vendas de 900 milhões de euros, maior do que o do ano passado. Com um volume de vendas total de 3,2 mil milhões de euros nas secções de moda e de produtos de pele, a LVMH está em primeiro lugar entre os maiores produtores de roupa na Europa. A Burberry conseguiu também continuar o seu sucesso económico e obteve um crescimento de 45% no seu volume de vendas. Outras empresas do ramo, como a Ermenegildo Zegna, Ferragamo e Prada, tiveram também crescimentos à volta dos 50%. Mas agora a situação alterou-se. A maioria das empresas de produtos de luxo prevêem quedas no volume dos seus negócios com uma dimensão notável. A LVMH lançou recentemente um aviso aos seus accionistas em relação ao lucro para o ano 2001. Nos meses de Setembro e Outubro, o volume de vendas diminuiu 4% e 3% respectivamente. A Prada adiou outra vez a sua entrada na bolsa e o produtor alemão Escada, anunciou que o grupo teve prejuízo no ano 2001, não conseguindo atingir os objectivos económicos a que se propôs. Na Alemanha a situação não é tão grave como por exemplo em França e em Itália, porque neste país dominam os produtos para a classe média. O panorama alemão é dominado pela Adidas-Salomon. Apesar de uma ligeira regressão no volume de vendas, a empresa está em primeiro lugar no ranking dos produtores de roupa alemã. Outras empresas alemãs vão ter uma ligeira diminuição no seu volume de vendas, mas em geral a situação não parece tão grave. Uma das empresas sem qualquer problema parece ser a Esprit. O produtor de roupa jovem obteve um crescimento de 33%, especialmente através do seu conceito de “shop-in-shop” na área de “wholesale”.