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As dicotomias da Misci

As mãos que constroem universos criativos depois de folhear livros juntaram-se às mãos que dominam as técnicas do crochet, macramé e, até, da cestaria – aplicada ao tecido – para dar corpo à Misci, a nova marca nacional que já conquistou os alemães.

“Misci” é uma contração da palavra latina “miscível”, que significa, como explica a sócia-fundadora, Izilda Garcia, misturar. «Mas», ressalva, «queríamos cruzar dicotomias particulares: a modernidade e a tradição, as máquinas e as mãos, o global e o local».

Deste cruzamento surgiu, há pouco mais de um ano, uma marca de moda feminina já com três coleções apresentadas – todas inspiradas pelos livros lidos por Izilda Garcia, assentes numa premissa slow fashion e amigas do meio ambiente e dos animais. «Não usamos peles ou penas e apoiamos um sourcing e produção próximos e responsáveis», afirma. Garantindo no atelier em Barcelos, onde trabalha uma equipa permanente de cinco pessoas, os protótipos e «algumas peças especiais» feitas à medida e a pedido das clientes, a Misci tem recorrido à subcontratação de «pequenas confeções ou costureiras independentes».

Com uma carteira de 20 clientes no canal multimarca nacional (como as lojas The Feeting Room ou a concept store Hay Carmo) e um portal de comércio eletrónico próprio, a Misci começa agora a exportar as suas propostas multifacetadas – como as Mariquitas, um modelo em preto feito com tecido reciclado que não se amarrota e pode converter-se em, pelo menos, 12 vestidos – e intergeracões – como as nove peças da linha “Heritage”, para as avós, mães e netas com crochet aplicado em algodão. «Já temos algumas encomendas para o Canadá, para França – onde estamos à venda em Paris, na nova na concept store eNeNe, que vende exclusivamente marcas de autor “made in Portugal”, – e também para a Alemanha, onde já temos uma consultora/agente», revela Izilda Garcia, indicando que, na Misci, a exportação representa atualmente 17% das vendas.

A alavancar a expedição de blusas e vestidos, protagonistas das coleções, tem estado a presença em salões da especialidade. «Estivemos em Berlim, na Show & Order, em Copenhaga, na Ciff, em Londres, na Pure London e no Porto, no Modtissimo», enumera a sócia-fundadora, adiantando que a internacionalização da marca poderá vir a rumar para o mercado germânico. «Há feiras que são muito grandes, a Misci é uma marca de design, de nicho e, se calhar, enquadra-se bem noutras feiras, como a Gallery, em Düsseldorf», admite.  Já no mercado nacional, a viagem será feita no sentido Norte-Sul. «Penso que esta quota de exportação não vai crescer em 2018, precisamente porque queremos consolidar-nos no mercado nacional. Estamos mais concentrados no Norte do país e queremos descer para o Centro e para o Sul», conclui Izilda Garcia.