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As dualidades da Europa

Em julho, as vendas no retalho subiram mais que o esperado na Zona Euro, registando o maior aumento mensal do ano, segundo os dados do Eurostat. No entanto, a economia europeia continuou a desacelerar em agosto, de acordo com o Purchasing Managers Index (PMI) da Markit.

As estatísticas do Eurostat mostram que as vendas no retalho cresceram 1,1% mês a mês e 2,9% em termos anuais em julho, com as duas performances a superarem as expectativas dos analistas. As previsões apontavam para um aumento de 0,6% no mês e de uma subida de 1,9% na comparação anual, informa o portal WGSN.

O aumento de 1,1% em julho é de longe a maior subida mensal deste ano, mais do dobro do aumento de 0,4% registado em maio, até então a melhor performance de 2016.

O crescimento nas vendas no retalho no mês subsequente ao Brexit é um sinal de que a moral dos consumidores não foi, pelo menos de forma imediata, afetada pelo referendo britânico que deu o “sim” à saída da União Europeia (UE).

As vendas mensais na UE como um todo também saíram particularmente fortalecidas em julho, crescendo 1% durante o mês, depois de uma queda de 0,2% em junho. Já no Reino Unido, as vendas aumentaram 1,3% em julho, depois de uma queda de 0,8% em junho.

As compras de produtos não alimentares, incluindo vestuário e equipamentos informáticos, subiram 0,4%, um sinal de que os consumidores estão menos interessados em gastos discricionários, depois do aumento de 0,7% em junho.

As vendas a retalho de produtos alimentares, bebidas e tabaco subiram 1,1%, enquanto o petróleo assistiu ao maior aumento (+1,8%).

No entanto, a economia da Zona Euro desacelerou em agosto. O PMI (indicador da saúde económica da indústria transformadora) do mês passado caiu para 52,9 em relação aos 53,2 de julho (uma leitura abaixo de 50.0 indica um declínio de atividade; uma leitura acima dos 50.0 indica expansão), obrigando a uma revisão das estimativas que antecipavam uma subida em agosto para 53,3.

O declínio no PMI, elaborado pela empresa de recolha de dados Markit, segue outros indicadores que notam que a fraca recuperação da Zona Euro pode estar a abrandar ainda mais, depois de uma redução para metade no crescimento nos três meses terminados em junho.

Uma pesquisa divulgada pela Comissão Europeia mostra uma queda na confiança dos consumidores e dos negócios durante o mês de agosto, enquanto os dados do Eurostat assinalaram uma taxa inalterada de desemprego em julho e uma taxa de inflação estagnada em agosto.

No entanto, a autoridade estatística da União Europeia apontou um forte aumento nas vendas a retalho durante o mês de julho, um sinal de que a crescente procura pode fazer subir os preços ao consumidor.

Em julho, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, advertiu que o Brexit poderia ser um significativo «vento contrário», desacelerando a recuperação. Draghi já tinha estimado que o referendo poderia retirar até meio ponto percentual no crescimento económico da Zona Euro ao longo de três anos.

Já em agosto, uma recolha de dados da Markit junto de empresas alemãs concluiu que a atividade cresceu ao seu ritmo mais lento em 15 meses. A desaceleração foi sentida, sobretudo, pelos prestadores de serviços, e não tanto nos produtores, que estão mais focados nas exportações para o Reino Unido. O estudo sinalizou também uma retoma na Irlanda, a economia da Zona Euro que tem laços económicos mais próximos com o Reino Unido.