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As empresas de moda italianas enfrentam tempos difíceis

A indústria italiana enfrenta um período de mudança. Os institutos Sistema Moda Itália e Associazione Tessile Italiana, que dão indicadores do bem-estar da indústria têxtil italiana, publicaram dados relativos à época de Primavera/Verão 2002. Segundo estes, as encomendas de empresas nacionais diminuíram 12% e das empresas estrangeiras baixaram 15%. No início, os institutos prognosticaram que o ramo podia conseguir manter o seu volume de vendas do ano anterior, 48,5 biliões de euros, ou ainda aumentar este valor. Apesar destes prognósticos em relação ao volume de vendas, as oito maiores empresas de moda italiana, entre elas a Armani, Gucci, Prada e Max Mara, querem manter a sua estratégia de abrir megastores – lojas que oferecem todos os produtos da marca desde a cosmética, aos artigos de moda e aos acessórios para a casa. Estas quatro marcas representam um quarto do volume de vendas total da área de têxteis, atingindo um montante de 11,4 milhões de euros. Especialmente importante neste contexto é o mercado americano, que aumentou a sua importância para as empresas italianas, e encontrando-se numa situação extremamente complicada. Segundo Girogio Armani, «o mercado americano representa um problema e vai ter consequências nos nossos resultados de 2002». No ano passado, a Armani obteve um volume de vendas de 356 milhões de euros neste país, quase 28% do seu volume total de vendas. Durante os últimos anos, a empresa conseguiu uma quota de crescimento de 35% nos EUA. Mas, apesar das fortes quedas depois dos ataques do dia 11 de Setembro, a Armani vai conseguir obter um resultado excepcional no ano fiscal 2001. Segundo os dados do balanço anual provisório do ano 2002, a empresa conseguiu um aumento de 23% no seu volume de vendas. Este valor ultrapassa a quota média de crescimento dos últimos três anos, que ficou à volta de 18%. Em todo o mundo, a Armani investiu cerca de 78 milhões de euros para abrir 33 lojas novas e adquiriu as fábricas da Simint em Modena, Itália, por um valor de 134 milhões de euros. Em Milão, a empresa investiu 61 milhões de euros nas instalações da sua sede. «Estou muito contente com o nosso desenvolvimento», disse Giorgio Armani, que conseguiu provar que a estratégia de reunir o design, a produção e a distribuição numa central estava certa. Durante o ano corrente, a Armani prevê a aquisição de uma fábrica de malhas e quer abrir mais 20 lojas tradicionais e três megastores em Milão, Paris e Frankfurt. Os especialistas da área exprimiram dúvidas quanto à estratégia das megastores, porque ainda não estão convencidos de que vai ser possível obter um volume de vendas suficiente nestas lojas para compensar as despesas elevadas com os empregados e com a renda. Apesar da tendência do ramo de acabar com os negócios de licenças, a Armani quer manter a colaboração com a Fossil e vender relógios e no futuro, jóias com o nome Armani. «Vamos manter estes investimentos, que foram muito bem planeados», disse Giorgio Armani.