Início Notícias Moda

As excentricidades de Milão

Rolaram cabeças e nasceram dragões na passerelle da Gucci, a Versace regressou aos anos 90 e fez suspirar saudosistas, os cães ladraram na Tod’s, mas a caravana da moda passou por Milão.

O revivalismo e o futurismo acabaram por se cruzar em passerelle, mas as macrotendências não se esgotaram por aqui.

Acessórios fora da caixa

O desfile da Gucci, orquestrado pelo diretor criativo Alessandro Michele, foi o que mais tinta fez correr durante a recente semana da moda milanesa, dedicada ao outono-inverno 2018/2019. Na mostra da casa, os modelos carregaram nos braços cabeças como se fossem bolsas e, na falta de cabeças, dragões – que muitas amantes de moda se apressaram a coroar como o novo objeto de cobiça.

Gucci

Alguns modelos ganharam ainda olhos extra, nas mãos ou na testa, num bloco operatório encenado em passerelle. Dentro da coleção propriamente dita, as sweatshirts imbuídas no imaginário do beisebol norte-americano serviram de fio condutor.

Não obstante, Alessandro Michele não foi o único a sugerir acessórios inusitados no calendário da semana de moda de Milão.

Jil Sander propôs almofadas e, não imune a duras críticas dos defensores dos animais, a Tod’s fez de cães o acessório-chave de modelos como Gigi Hadid, que abriu o desfile com um Bulldog francês nos braços.

Tod’s

A temática foi iniciada na última campanha publicitária da marca, protagonizada por Kendall Jenner. Nos anúncios, a modelo surge com um Corgi, juntamente com a nova bolsa da Tod’s. Na coleção desfilada na capital de moda, destacaram-se os blusões de estilo bomber em lã, blusões militares e os clássicos mocassins da Tod’s.

Regresso ao passado

Outra das tendências da semana de Milão dedicada à próxima estação fria já catalogada pelos portais da especialidade é o revivalismo, com memórias de estilo dos anos 1970, 80 e 90 atualizadas pela intervenção de nomes como Versace, Pedro Pedro e Carlos Gil. Os dois últimos regressaram à cidade italiana com o apoio do Portugal Fashion.

Pedro Pedro
Pedro Pedro

A paleta de cor dos anos 1970 inspirou as coleções da Salvatore Ferragamo, Alberta Ferretti, Etro e Marni – que propuseram uma viagem aos tons quentes dos seventies, como o amarelo torrado, tijolo e diferentes gradações de castanho.

 

O alinhamento de Pedro Pedro trabalhou o camel, o caqui e os tons cítricos em looks de workwear que introduziram a nova mulher do imaginário do designer.

Carlos Gil

Intitulada “Le Bureau”, a coleção, nas palavras do próprio, «representou uma nova atitude, rompendo com o casual sportswear». Peças femininas, fluidas e oversized e bainhas que se alongaram para acentuar a silhueta longilínea foram as estratégias de Pedro Pedro para materializar essa atitude. As sarjas brutas e lãs grossas e os materiais impermeáveis e protetores cruzaram o alinhamento.

Carlos Gil apresentou “Twenty-four hours” no dia 22 de fevereiro voltando à estética disco de décadas passadas.

Versace

A coleção explorou detalhes inesperados que remetiam para os anos 1970 e 1980, fazendo prevalecer nos coordenados uma imagem elegante, urbana e sofisticada sem perder a vibração desportiva. De acordo com o designer, o foco incidiu em looks adaptáveis a «todas as horas do dia, todos os dias». O verde e o azul sobressaíram na paleta de cor.

A Versace voltou a honrar o legado criativo do fundador da casa, Gianni Versace. A cultura escocesa, fonte de inspiração da diretora criativa Donatella Versace para o outono-inverno 2018/2019, materializou-se no tradicional tartan, pintado com as cores da pop art de Andy Warhol. A versão em amarelo parece ter vindo diretamente dos anos 90 – lembrando o filme “Clueless”.

Prada

Sede de futuro

Em Milão, também o néon anunciou a próxima estação fria. As coleções da Prada, Sportmax, MSGM e da Giorgio Armani pareceram saídas de um filme de ficção científica.

Das peças técnicas à prova de chuva da Prada aos looks casuais com um twist da Giorgio Armani, o futuro anunciado na 7.ª arte parece finalmente ter chegado à passerelle.