Início Notícias Têxtil

As inovações de 2021

Na Idade dos Sistemas, responder a desafios como a sustentabilidade e desigualdade irá exigir a combinação bem articulada entre criatividade e design para criar soluções a longo prazo. O WGSN identificou diferentes áreas de inovação que vão transformar a sociedade, a tecnologia, o ambiente e a indústria em 2021.

No manifesto criativo do ano passado, o WGSN sublinhou a importância dos sistemas e não das coisas – como o design e a forma de pensar o design está a ir além do produto e a entrar na área social, ambiental e político. «Em 2021, prevemos que desenhar sistemas que fazem produtos irá tornar-se ainda mais crucial do que desenhar os próprios produtos», refere o gabinete de tendências no relatório “Future Innovations 2021”. Exemplo disso será o pensar e criar uma forma de carregar os pertences pessoais num mundo com espaço limitado, onde os recursos vão tornar-se tão essenciais quanto desenhar uma mala.

A Royal Society for the Encouragement of Arts, Manufactures and Commerce, do Reino Unido, encoraja as empresas e as entidades públicas «a pensar como um sistema, a agir como um empreendedor» para identificar oportunidades para a inovação e criar o ambiente certo para instigar a mudança.

Os produtos e serviços vão igualmente mudar, graças a sistemas que estão rapidamente a avançar. Os algoritmos de inteligência artificial, por exemplo, vão afetar tudo o que fazemos e no caso dos têxteis, serão cada vez mais integrados em sistemas, com os tecidos a transformarem-se em dispositivos integrados num mundo de computação nas fibras. Nesse mundo, o vestuário, os automóveis e as casas – e tudo o que tenha têxteis – farão parte de um vasto sistema interconectado que vai conseguir monitorizar a nossa saúde, processar informação e comunicar usando a luz em vez de fios: LiFi, não WiFi.

A inovação vai continuar a transformar o mundo e há diversas tendências que vão mudar não só a sociedade, como a tecnologia, o ambiente, a política, a indústria e a criatividade. Revelamos agora quais as tendências apontadas pelo WGSN para quatro dessas áreas.

Sociedade

Para lidar com um futuro incerto e um mundo que parece fugir ao controlo, os consumidores vão tentar encontrar e criar felicidade em momentos do dia a dia. As métricas usadas para medir o sucesso estão, cada vez mais, a pender para a felicidade. O Relatório Mundial da Felicidade de 2018 faz o ranking de 156 países de acordo com o seu nível de felicidade e lista o apoio social, a liberdade, a confiança e a generosidade como critérios.

Nesta procura pela felicidade quotidiana estão já a surgir alguns projetos, como o kit do designer Teddy Schuyers que permite que os utilizadores façam o seu próprio perfume a partir de cascas de fruta secas e outros alimentos perfumados, e o No Stimulation Contents Lab, na Coreia do Sul, que posta fotos para um momento relaxante no mural de utilizadores do Facebook.

Nesta área, há ainda a alteração do conceito de casa, que se tornará num espaço de cuidado e melhoria pessoal – uma espécie de refúgio. O mercado de artigos para a casa, avaliado em 649 mil milhões de dólares, deverá expandir-se para servir esta nova tendência, devendo crescer a uma taxa composta anual de 5,5% até 2021.

Parterre Surfaces Chauffantes

Quem está já a capitalizar esta tendência é a Parterre Surfaces Chauffantes, um tapete com um sistema de aquecimento que cria zonas quentes para aquecer o corpo em vez de toda a casa. Já a Mirror leva aulas de fitness em direto à casa dos consumidores através de um espelho semelhante a um LCD que se liga a uma série de aulas diferentes, da barra ao ioga.

Tecnologia

A inteligência artificial está ainda nas suas fases iniciais, mas está já a amplificar os enviesamentos e os preconceitos humanos. À medida que cresce, a indústria tecnológica vai estar sob cada vez mais pressão para se tornar mais inclusiva e justa.

Em setembro de 2018, por exemplo, a equipa de inteligência artificial da Google lançou o Concurso de Imagens Inclusivas – uma open call para treinar as máquinas com conjuntos de dados mais vastos numa tentativa de ultrapassar os enviesamentos geográficos, de género e de raça.

Já a Steemit é uma rede social com base em tecnologia blockchain que permite aos utilizadores compensar outros indivíduos pelos conteúdos que publicam.

Tecnologias emergentes como blockchain e redes peer-to-peer poderão ainda ajudar a restaurar a confiança e a transparência entre marcas e consumidores, ao mesmo tempo que permitem criar comunidades em fronteiras, onde será mesmo possível, por exemplo, que os consumidores troquem, entre si, milhas de uma companhia aérea ou pontos de fidelização de uma marca.

Ambiente

Atualmente há já projetos de bioengenharia revolucionários em curso um pouco por todo o mundo e a indústria de biotecnologia, avaliada em 133 mil milhões de dólares, deverá redesenhar a vida em grande escala já em 2021.

Nienke Hoogvliet

O projeto de investigação europeu Newcotiana, com uma verba de 7,2 milhões de euros, está atualmente a usar a edição de genes e a cultura de moléculas para mudar a planta de tabaco para produzir substâncias que possam ser usadas na medicina e na cosmética, encontrando assim aplicações mais saudáveis para a planta.

O bioplástico será uma das grandes áreas de inovação, com o mercado mundial a dever atingir os 35,47 mil milhões de dólares em 2022. No México, a Biofase está a produzir bioplástico a partir do caroço do abacate.

Uma outra área tem a ver com a introdução de sistemas circulares que permitam reutilizar os recursos escassos do planeta. Com recursos básicos como ar e água a serem cada vez mais afetados pela poluição, alguns produtos essenciais vão tornar-se um luxo, enquanto outros irão ser uma nova fonte de inovação e oportunidade em todo o mundo.

Neste âmbito, as autoridades holandesas de gestão da água estão a promover uma nova matéria-prima chamada Kaumera, que é extraída dos grânulos de lodo retirados de águas residuais. A designer Nienke Hoogvliet recentemente usou o material como corante têxtil.

Indústria

Autenticidade será uma das palavras de ordem de 2021, com as marcas que fazem afirmações em áreas como o bem-estar, sustentabilidade e colaboração a estarem sob maior escrutínio, impulsionado sobretudo pelos consumidores da Geração Z, que procuram provas desse tipo de mensagem.

Asos

A nova marca da Asos, a Collusion, foi criada diretamente com os consumidores para os quais se dirige – a Geração Z –, com seis “membros-fundadores”, incluindo artistas, ativistas e influenciadores do YouTube, a criarem uma gama inclusiva em termos de género que oferece uma abordagem nova à autenticidade.

Para resolver os desafios complexos e interligados do futuro, as marcas bem sucedidas terão de mudar a sua mentalidade da integração vertical para redes horizontais. Nos EUA, a Advanced Functional Fabrics of America está a trabalhar para transformar fibras e têxteis em dispositivos – um desenvolvimento conhecido por computação de fibras. Atualmente, os avanços tecnológicos nesta área são tão rápidos que excedem a lei de Moore, quase que duplicando em capacidade a cada 90 dias. Dentro de cinco anos, sublinha o WGSN, a computação de fibras pode ser comummente usada para vários tipos de produto, desde vestuário a assentos de automóvel.