Início Notícias Retalho

As leis do denim – Parte 2

Os novos conceitos de exposição do produto e valorização da experiência em loja alcançam as marcas de vestuário denim, que veem, nesta nova forma de conceber o retalho, um meio de enaltecer o produto e superar a tradicional prática de compra, complementando a sua oferta com serviços inovadores.

No âmbito desta tendência, surgem novos espaços dedicados exclusivamente a mulheres, que adaptam as linhas de produtos e construção do ambiente às necessidades do público feminino. Em paralelo, emerge a tipologia de loja conceito, que apela a um determinado estilo de vida, incluindo peças de artes e diversas manifestações culturais como forma de complementar os produtos em exposição e potenciar a experiência em loja. (ver As leis do denim – Parte 1)

Ateliers em loja
A instituição de oficinas e ateliers de produção nos espaços comerciais das marcas, permitindo aos clientes a realização de arranjos e customizações personalizadas, afigura-se como uma das tendências emergentes do retalho. Esta iniciativa possibilita, não só, responder à curiosidade crescente do consumidor pela história e pela herança dos produtos que adquire, mas também facilitar a criação de bens personalizados.

A marca norueguesa Livid Jeans inaugurou, no ano passado, uma loja que combina um espaço multimarca com uma área de desenvolvimento de produto, no qual os clientes podem assistir à confeção dos artigos comercializados.

De igual forma, a empresa Railcar Fine Goods, que trabalha com denim em bruto, produzindo todos os seus produtos a nível interno, inaugurou um espaço que combina uma oficina inteiramente funcional com uma loja de retalho. Os consumidores têm, assim, a possibilidade de assistir à confeção dos produtos antes de os adquirirem.

A nova loja da Nudie Jeans em Gotemburgo, Suécia, concede um lugar de destaque ao espaço de arranjos, plenamente visível a partir do exterior, onde os clientes podem depositar os seus pares de jeans usados para reparação.

Conceito pop-up
O conceito de lojas pop-up, espaços comerciais que surgem de forma espontânea e de duração limitada, tem sido utilizado pelas marcas como uma forma de suscitar curiosidade em relação ao lançamento de uma nova coleção ou produto, criando novas formas de envolvimento e interação com o cliente.

O designer japonês Hiroki Nakamura transportou, pela primeira vez, o seu conceito “Fil Indigo Camping Trailer” além-fronteiras, inaugurando uma loja pop-up no mercado nova-iorquino de Dover Street. Em funcionamento exclusivamente durante a Semana da Moda de Nova Iorque que apresentou as coleções primavera/verão 2015, “The Traveling Trailer” incluiu um vagão vintage, com um atrelado de estanho de aproximadamente 5 metros, convertido em montra de exposição de artigos denim e adereços vintage.

A marca sueca Cheap Monday, especializada em vestuário denim, celebrou o seu décimo aniversário com o lançamento da intitulada “mais curta loja pop-up do mundo”. No âmbito do evento, foram criadas 10 lojas pop-up, em 10 cidades mundiais, que estiveram abertas por não mais de 10 minutos, doando 1.000 pares de jeans em cada estação.

A Levi’s é reconhecida pela criação de pop-ups criativas, facto testemunhado por projetos como “Commuter Workspace” e “Station to Station”. O seu mais recente projeto, inaugurado na zona londrina de Shoreditch, dedica-se exclusivamente à apresentação da coleção da marca “Line 8” e tem como alvo principal o consumidor experiente e conhecedor do vestuário em denim.

A marca Made in Heaven aproveitou o clima da Semana da Moda de Londres para lançar uma pop-up nos grandes armazéns Selfridges, apresentando a sua última coleção a novos consumidores. Aqueles que despendessem um valor superior a 200 libras (275 euros) receberiam um presente avaliado em 75 libras (103 euros).

O segredo está no serviço
As marcas de vestuário denim investem, cada vez mais, na excelência do serviço prestado ao cliente, especialmente devido à complexidade que envolve, frequentemente, o processo de aquisição de jeans. Desta forma, os espaços de venda superam a mera função comercial, disponibilizando um nível de conhecimento e compromisso impossível de recriar nas plataformas digitais.

A G-Star Raw instituiu “curadores de denim” nos seus espaços comerciais, que atuam como assistentes de compras pessoais dos consumidores. A sua função é identificar o estilo de denim que o cliente procura, dar a conhecer as lavagens existentes, bem como definir o tamanho adequado, sendo permanentemente assistido por um “corredor de stocks”, que se dirige aos armazéns na busca de tamanhos não disponíveis na loja, garantindo uma experiência de compra que almeja a perfeição. A marca oferece, também, o sistema de fidelização G-Star, um serviço de compras complementar, em que os clientes podem recolher e devolver encomendas efetuadas on-line na sua loja local.

A Nudie Jeans é conhecida pelos ateliers de arranjos integrados nas suas lojas, oferecendo arranjos e alterações em todos os produtos da marca, efetuados por especialistas em denim. Este serviço não só se adequa à filosofia da marca, estimulando a criação de padrões de consumo mais saudáveis e sustentáveis, mas eleva também a qualidade do atendimento prestado ao cliente