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As lojas mais caras do mundo – Parte 2

Apesar do preço de arrendamento ter subido consideravelmente nas melhores localizações, o estudo da Cushman & Wakefield revelou que estes estabilizarem em cerca de 70% dos 59 países analisados, depois de no ano anterior terem revelado a maior queda dos últimos 25 anos (verAs lojas mais caras do mundo – Parte 1). A apreciação dos preços das rendas comerciais na Ásia foi motivada pelo facto dos retalhistas de moda líderes nos seus segmentos de mercado terem orientado a sua estratégia de expansão para aquela região. A Inditex e a Louis Vuitton Moet Henessy (LVMH), por exemplo, têm vindo a apostar fortemente nos mercados asiáticos como forma de fazer depender menos as suas vendas da Europa, onde a crise económica e financeira parece estar muito longe do fim. John Strachan, responsável máximo internacional da área de retalho da Cushman, afirma que «no conjunto de todas as regiões, Ásia-Pacífico é aquela que continua a ter maiores perspectivas de crescimento». Para a Inditex, o maior retalhista de moda do mundo, 40% das novas aberturas das suas oito cadeias, onde se inclui a Zara, acontecerão no continente asiático. O gigante espanhol e a sua rival sueca H&M têm ganho à concorrência os principais locais de Myeongdong e Gangnam em Seul, aumentando as rendas neste último bairro em mais de 18%. As elevadas rendas praticadas nos principais locais comerciais têm feito com que as principais marcas equilibrem a obrigatória presença nos melhores “spots” com a venda através da Internet. A Inditex, depois do lançamento da Zara on-line no mercado europeu, planeia alargar aos EUA, Japão e Coreia do Sul a loja de comércio electrónico da sua principal cadeia. A H&M e a Gap deverão seguir os passos da rival espanhola. Num dos países com melhor performance dos últimos meses, o Brasil, as rendas na sua capital empresarial – São Paulo -, quase duplicaram ao longo do último ano. A rua Haddock Lobo e o Shopping Iguatemi viram as suas posições consideravelmente melhoradas no ranking da Cushman & Wakefield. Se na Ásia e no Brasil a tendência é de subida, a problemática Europa conheceu uma depreciação média de 4,5% nas suas rendas. Locais como os Campos Elísios em Paris, a Via Montenapoleone em Milão ou a Grafton Street em Dublin viram o seu posicionamento deteriorar-se. No caso irlandês, a queda de 26% no valor das rendas é indicativa da grave crise que atravessa a economia de um país cuja performance era baptizada de “o milagre irlandês”. Um bom sinal de que nem só de serviços vive uma economia e que sectores tradicionais como a indústria são fundamentais em economias sólidas e maduras. Apesar da queda generalizada registada na Europa, a desvalorização da libra e o afluxo de turistas a Londres levou a que New Bond Street, local preferido pelas principais marcas de luxo mundiais, tivesse incrementado as suas rendas em quase 20%. Um sinal da importância do consumo na capital britânica, que viu as vendas a retalho realizadas em locais como Oxford Street, Bond Street e Regent Street aumentarem 9,3% nos últimos meses. O ranking das 11 localizações de retalho mais caras do mundo é por ordem decrescente: Quinta Avenida – Nova Iorque; Causeway Bay – Hong Kong; Ginza – Tóquio; New Bond Street – Londres; Campos Elíssios – Paris; Via Montenapoleone – Milão; Bahnhofstrasse – Zurique; Myeongdong – Seul; Pitt Street – Sydney; Kaufingerstrasse – Munique: Iguatemi/ Haddock Lobo – São Paulo.