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As medidas do corpo brasileiro

Imagine recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas ruas a pedir licença às mulheres que passam para medir o tamanho do busto ou das ancas? Certamente não seriam bem recebidos. Mas a indústria têxtil brasileira está à procura dessa informação, quer conhecer as medidas dos corpos dos brasileiros para padronizar a confecção de roupas. O projecto em andamento é da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) e tem como objectivo redireccionar a produção para vender de acordo com o figurino dos clientes. «Apesar das mudanças físicas ao longo das gerações, a tabela de medidas que a indústria têxtil utiliza é a mesma de há 50 anos atrás», critica o director geral da Lectra, Edouard Macquin. «Por isso, às vezes uma roupa não cai bem e o comprador não entende o motivo». A incompatibilidade entre os tamanhos das etiquetas e as medidas dos consumidores, está a fazer com que a indústria deixe de facturar milhões de dólares por ano, diz Macquin. Isso estimulou a Abravesp a preparar uma pesquisa antropométrica, ou seja, decifrar o padrão do corpo dos brasileiros, através de máquinas. A tecnologia de medição de corpos custa 568 mil euros e é fruto da associação entre os softwares produzidos pela francesa Lectra e as máquinas da alemã Techmath. Especialista em ergonomia, a Techmath tem experiência no mercado automobilístico. Consegue determinar o melhor posicionamento dos componentes de um carro. A Lectra, está há 20 anos no país. Possui uma carteira de 350 empresas-clientes dos seus programas para computadores que facilitam o processo criativo e produtivo. «Nos últimos três anos, houve uma revolução tecnológica por aqui», comenta Macquin. Para que a indústria possa descobrir se o corpo da brasileira está mais para Carla Perez, com 102 centímetros de ancas, ou para Gisele Bündchen, com 89 cm, serão utilizados body scanners. São túneis mecânicos onde sensores captam as medidas das pessoas que entram. Com os resultados, vai ficar mais fácil para uma confecção de pequeno porte planear com precisão o número de unidades calças tamanho 40, por exemplo. Mas, não é apenas a indústria de vestuário que poderá tirar vantagens do mapa antropométrico do brasileiro. Os sectores de têxteis lar, automobilístico e aeronáutico também poderão aperfeiçoar os seus produtos e serviços a partir do conhecimento exacto das curvas e formas dos consumidores.