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As melhores dicas de sourcing

Quando se trata de desenvolver ou adaptar a estratégia de produção de uma marca ou de um retalhista de vestuário, existem fatores-chave a ter em conta. A flexibilidade, comunicação e instituição de parcerias são essenciais, mas devem ser combinadas com qualidade, velocidade e conformidade.

«Adoraria produzir no Reino Unido, mas é um desafio para qualquer um, quando nos deparamos com um salário mínimo e custos salariais de 60 dólares mensais, em lugares como Daca», apontou o consultor de sourcing, Philip Worrall, no evento SVP Fashion, que decorreu em Londres, no mês passado. «Isto faz com que seja extremamente difícil para qualquer um», afirmou.

Destacam-se seis fatores essenciais que todas as marcas e retalhistas devem considerar quando gerem a sua base de produção, revelou Worrall, no topo dos quais figura a flexibilidade. «Esta é uma palavra muito forte. Deve ponderar as suas necessidades no curto, médio e longo-prazo, e deve ser capaz de se adaptar aos fatores externos que o podem afetar, como as taxas de câmbio», explicou.

Frequentemente, quando a libra desvaloriza face ao dólar, as marcas e retalhistas regressam à Turquia, Portugal, Roménia e Polónia para produzir, uma vez que a moeda britânica está demasiado fraca para que a produção seja realizada no continente asiático, argumentou.

Worrall, que já desempenhou funções relacionadas com a gestão de aprovisionamento dos grandes armazéns John Lewis, Lee Cooper e da marca de desporto Puma, acredita também que «o tamanho conta».

Tomando a cadeia de supermercados Sainsbury’s como exemplo, Worral explicou que quando o retalhista britânico iniciou a sua atividade, contratou o grupo Li & Fung para realizar a produção e o sourcing dos seus produtos. Com escritórios em todo o continente asiático, a Li & Fung auxiliou a Sainsbury’s na busca pelo fabricante ideal.

Desde então, a retalhista britânica abriu escritórios próprios na Ásia. A Sainsbury’s prevê que o segmento de vestuário atinja, este ano, um volume de negócios de 1,2 mil milhões de dólares. «Por isso, o tamanho importa», enfatizou Worrall.

Neste contexto, ter uma equipa presente no local onde estão sediadas as instalações de produção é relevante, acredita o consultor. «Ter alguém no local de olho– isso é o mais importante», advogou Worrall, acrescentando que «esses olhos podem apoiá-lo, independentemente de fabricar perto de casa ou além fronteiras».

Paralelamente, a comunicação é também essencial a uma estratégia de produção bem-sucedida, que segundo Worrall, é «um dos meus ódios e amores de estimação». A produção pode sair prejudicada quando os e-mails são interpretados de formas diferentes, observou. «Nem todos falam inglês, mas quando comunicar, mantenha-o puro e simples. Não complique, porque é nesse momento que os erros ocorrem», aconselhou. A estratégia de aprovisionamento, resumiu Worrall, prende-se com a «compreensão de quais são os seus objetivos e intenções».

Qualidade, rapidez e conformidade

«As parcerias com os fornecedores são extremamente importantes», sublinhou Worrall. A marca americana Brooks Brothers, que apontou como exemplo, tem uma base de fornecedores de nicho na qual os seus fabricantes cooperam em estreita proximidade e parceria.

Ter os fornecedores certos é fundamental, mas esta deve ser uma «parceria vantajosa» para ambas as partes. É igualmente importante averiguar a atividade, a fim de «compreendermos o que realmente iremos obter», afirmou. É essencial estabelecer indicadores-chave de desempenho e metas de forma a avaliar o desempenho individual dos fornecedores. «Se não cumprirem, terá uma ferramenta que lhe permitirá dirigir-se a eles e discutir, compreender e certificar-se de que as mudanças necessárias ocorrem. Mas se continuarem em incumprimento, terá um motivo para se afastar», explicou.

Dito isto, se as marcas e retalhistas não avaliarem e gerirem os seus fornecedores corretamente, Worrall acredita que «terão de aceitar o que lhes dão – má qualidade, mau serviço e preços fracos». Neste âmbito, o consultor assegura que «ter uma base de produção mais apertada, restrita e focada permitirá melhorar as margens e aproximar-se do fornecedor».

Embora a presença de um representante da empresa no local e as parcerias certas sejam fatores essenciais a considerar no desenvolvimento de uma estratégia de aprovisionamento, Worrall considera que diversas fábricas são prejudicadas pelo que denomina de «fadiga de auditorias». «São auditadas semana após outra por empresas diferentes», referiu, acrescentando que uma das fábricas que visitou recentemente foi aprovada por uma auditoria realizada por uma dada marca, mas reprovada na semana seguinte no contexto de uma auditoria efetuada por outra marca.