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As tendências que a pandemia trouxe para a casa

Depois de um ano em que a pandemia obrigou toda a gente a passar mais tempo em casa, muitos americanos gastaram dinheiro na atualização de espaços interiores. Além de impulsionarem os negócios, essas compras criaram também novas tendências para o lar.

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De acordo com o relatório Edited Homeward E-commerce Playbook, o sector de homeware deverá atingir os 838,6 mil milhões de dólares (cerca de 707,23 mi milhões de euros) em 2027, um valor superior aos 616,6 mil milhões registados em 2019.

O relatório descobriu que os gastos com decoração aumentaram 125% anualmente e as receitas em roupa de cama cresceram 63% no mesmo período. Estes dados, alinham-se com o recente relatório do Style Sage que desvenda as palavras mais pesquisadas no universo da casa. Fritadeira a ar, sofá, lençóis, liquidificador e espelho são as palavras no topo da lista. Os lençóis, inclusive, estão entre os termos com o maior aumento nas pesquisas desde o ano passado, com uma subida de 18%.

Toque macio

À semelhança do que acontece na moda, o covid-19 aumentou o desejo de criar um espaço confortável, o que se traduziu na procura por móveis e artigos domésticos fabricados com tecidos macios, nomeadamente com tecido bouclé, cujo número de pesquisas disparou 66% ao ano, e pelos artificiais, que cresceu 351%.

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«O softcore tem sido uma estética forte que nasceu do lifestyle subjacente ao covid, de estar confortável a trabalhar em casa. Isso influenciou os lançamentos para a casa a oferecerem produtos que criam um ambiente seguro e aconchegante através de tecidos luxuosos e texturas ricas», afirma Kayla Marci, analista de mercado da Edited, ao Sourcing Journal.

Cores quentes

Impulsionada pela popularidade dos tons cinzentos, a paleta de cores frias tem sido líder ao longo de vários anos, mas uma tendência mais quente paira agora sob o segmento casa. Desta forma, os tons gelados deram lugar a cores mais cálidas e, ainda que o cinzento continue em alta nas preferências, os castanhos tornaram-se os novos neutros.

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«Depois de um passado dentro de casa, houve uma mudança na criação de um espaço luminoso e feliz, um movimento que continuará à medida que o trabalho flexível continua a ser uma realidade. Para responder a isso, as retalhistas afastaram-se das paletas de cores habituais», explica Kayla Marci.

Outra cor tendência é o verde, que surge em várias tonalidades e, segundo a Edited, é responsável por 13% dos novos sofás este ano, mais 4% do que no ano passado.

Como acontece com o conforto, o verde passou a ser tendência, influenciado pela indústria da moda, que adotou esta tonalidade como uma ode à positividade e a um novo começo.

«Tons terra e naturais também complementam a tendência para a casa de trazer o ar livre para dentro e o aumento de plantas e móveis de vime, aproximando-se da natureza e criando a ilusão de resorts de férias em casa», acrescenta a analista de mercado da Edited.

Levar o exterior para interior conduziu igualmente ao crescimento das vendas de móveis para áreas externas, com a principal categoria esgotada na Target, Kohl’s, e na TJ Maxx nas primeiras semanas de julho a ser o jardim pátio, revela a Style Sage.

Efeito máximo

As linhas sóbrias, as paletas neutras e o estilo minimalista vigoraram nas opções dos consumidores, mas a era do Instagram e de outras redes sociais com base em imagens, cores, texturas e padrões deram origem a espaços coloridos, impulsionados pelas gerações mais jovens, que querem agora artigos de decoração que reflitam personalidade.

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«Isso estimulou o sucesso viral dos blocos de cores e tons contrastantes em tintas, móveis e acessórios para a casa, assim como vidros coloridos, velas e vasos em formas orgânicas e neoténicas», resume Kayla Marci, salientando que esta tendência não se aplica a artigos maiores como sofás e camas, uma vez que o minimalismo ainda é uma referência para os artigos mais caros e que os consumidores querem ter por muito tempo.

Sustentabilidade

A Edited descobriu que o número de produtos amigos do ambiente em stock para as retalhistas de casa online registou um aumentou de 101% ao ano, a prova de que a sustentabilidade se quer também em casa, já que os consumidores se tornaram cada vez mais conscientes.

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Os artigos descartáveis conheceram uma quebra graças aos consumidores preocupados com o impacto que têm no meio-ambiente.

«Os consumidores estão a tornar-se mais conscientes e educados sobre o impacto ambiental e ético daquilo que estão a comprar, o que aumenta a pressão sobre as empresas para que evoluam em termos de processos e produtos», garante a analista de mercado.

Esta consciencialização levou também a um aumento do uso de materiais mais naturais como o algodão orgânico e o vime, destaca a Edited.