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As viagens da Waya

O desejo de um regresso continuado a La Guajira, na Colômbia, motivou o nascimento da marca portuguesa de acessórios, que vai catalogando as memórias da fundadora. A Waya nasceu em 2015 e veio na bagagem de Constança Félix da Costa, empreendedora com preocupações éticas que fez uma viagem à América do Sul há dois anos e se deixou apaixonar pela arte indígena da comunidade Wayuu.

Os produtos da jovem Waya nascem das mãos de artesãs colombianas, mas a marca brotou em território nacional e é uma portuguesa quem a fez crescer. A par disso, chega a todo o mundo pelo canal online.

«Este projeto começou formalmente em 2015, mas tudo começou com uma viagem que fiz há cerca de 2 anos, pela América do Sul. Nessa viagem, apaixonei-me por completo pela Colômbia, em particular pela zona de La Guajira. A partir desse momento, qualquer desculpa para voltar era válida», e… nasceu a Waya, confessa Constança Félix da Costa, fundadora da marca, ao Portugal Têxtil.

Constança Félix da Costa explica que “Waya” significa “nós” em Wayuunaiki, dialeto local da comunidade Wayuu, e batizar a marca com uma noção de partilha subjacente fez todo o sentido.

O desenho e produção de cada bolsa – o produto-chave da Waya, que tem nas sandálias e pulseiras igualmente coloridas a sua companhia – é inteiramente executado pelas mulheres da comunidade Wayuu, porque a marca está «genuinamente comprometida em partilhar a arte indígena», mas o gosto pessoal de Constança Félix da Costa acaba por ser «bastante importante no processo de criar cada coleção».

A comunidade Wayuu, onde toda a produção é realizada, «tem sofrido diretamente pela presença contínua de guerrilhas (FARC) e por uma disputa continua pelo poder local». Contudo, «tem conseguido manter um estilo de vida que tem sido passado de geração em geração», conta a fundadora da Waya.

A preservação deste estilo de vida, prossegue Constança Félix da Costa, deve-se também ao «papel de líder da mulher no seio da tribo e da família». E a técnica de tecelagem desenvolvida pelas mulheres da comunidade Wayuu, «sendo um símbolo de inteligência, sabedoria e criatividade», é também uma forma de subsistência.

Cada bolsa demora 15 dias a ser concluída, «sendo tecida artesanalmente usando algodão da península de La Guajira», explica a fundadora.

Nativa digital, com venda nas redes sociais, a Waya tem «ganho mais visibilidade ultimamente com a chegada do verão» e, como a estação grita por cor, os modelos mais procurados «são as bolsas com cores mais fluorescentes».

Com preços entre 60 e 70 euros para as bolsas de 8 a 18 euros para os acessórios, a marca tem nas consumidoras mais jovens o seu público-alvo e nos mercados de moda e artesanato importantes montras. «A Waya tende a ser uma marca que ganha mais visibilidade no verão, portanto, os meses de maio e junho têm sido bastante positivos», revela Constança Félix da Costa, que destaca os muitos pedidos que chegam de Espanha.

Com apenas 22 anos, a jovem licenciada em Antropologia sempre se deixou perder na «constante procura de interação com culturas» que a desafiassem. «Antes de começar este projeto, estudei Antropologia durante três anos, tendo despertado uma consciência e continua vontade em apoiar e em desvendar negócios sustentáveis e que possam ter algum impacto social em áreas que tendem a ser esquecidas», analisa sobre o caminho que a levou até à Waya.

Hoje, para Constança Félix da Costa, a principal conquista, que ao mesmo tempo é o maior desafio, trata-se de «conseguir manter a marca ativa e em crescimento com um conjunto de colaboradores que asseguram uma produção ética», e continuar a erguer pontes entre Portugal e a Colômbia.