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Ásia introduz novo feminismo

Nos países asiáticos, as novas gerações de mulheres estão a esforçar-se para substituir o sexismo datado e derrubar algumas construções sociais. Com esta mudança de pensamento e ação, uma comunicação de marca progressiva e centrada na emancipação feminina revela-se fundamental.

Na Ásia, um dos entraves à emancipação feminina prende-se com o facto de os desafios serem muito díspares de região para região. No entanto, há muito espaço para crescer – e as marcas ainda estão a tempo de moldar e atualizar as suas mensagens.

Num relatório recentemente divulgado, o portal de tendências WGSN analisou a motivação dos novos movimentos feministas e as vias pelas quais as camadas mais jovens estão a responder à desigualdade de género.

O catalisador

Nos últimos anos, a violência de género catalisou movimentos feministas em toda a Ásia. São cada vez mais as mulheres a unir-se em ações coletivas para combater a misoginia profundamente enraizada.

Apesar das restrições governamentais e da censura aos media, as feministas chinesas têm-se esforçado para chegar ao mainstream.

Em 2015, o grupo de ativistas conhecido como “Feminist Five” conquistou a atenção internacional depois de ter sido detido por planear distribuir autocolantes contra o assédio sexual no Dia Internacional da Mulher. O incidente fomentou a solidariedade entre ativistas, que levaram a cabo ações ainda mais ousadas.

O movimento “F Feminist” iniciou a campanha “I am a billboard” contra o assédio sexual, que se estendeu a 23 cidades.

Esta é uma questão particularmente prevalente nos transportes públicos e nas universidades. Uma pesquisa realizada em 2016 pela China Family Planning Association descobriu que, na China, cerca de 20% das estudantes universitárias já tinham sido assediadas sexualmente.

Também na China, em 2017, a indústria editorial observou um pico de 132% nas vendas de livros de temática feminista.

Movimentos online

As jovens asiáticas estão a transformar o seu descontentamento em ação, organizando-se online e levando, inclusivamente, as suas batalhas para as ruas. Nestas lutas, o papel das redes sociais é cada vez mais significativo, proporcionando uma plataforma de troca e discussão.

Na Coreia do Sul, várias hashtags na rede social Twitter têm vindo a exigir a igualdade de género. Desde 2015, a #IAmAFeminist tem vindo a capacitar as jovens a rejeitarem os estereótipos de género, apelando à igualdade.

A este respeito, a investigadora Hyejin Oh observou a eficácia política dos grupos feministas, quando se uniram numa “zona feminista” durante o protesto à luz de velas contra a ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye. «Assumiram a liderança para expressar os direitos das mulheres», considerou.

Na China, os grupos nas plataformas digitais Weibo e WeChat emergiram como um espaço seguro para promover os direitos das mulheres. Durante a Marcha das Mulheres, em janeiro de 2017, as feministas chinesas transmitiram os protestos e inundaram os grupos no WeChat. No entanto, a opressão prevalece – a aclamada conta Weibo Feminist Voice foi censurada por partilhar a marcha.

Espaços e comunidades para mulheres

As livrarias feministas estão a recuperar força na Ásia, tal como os espaços e clubes exclusivamente dedicados a mulheres. O Cafe Doing, em Seoul, assume-se como um centro cultural feminista e também como uma espécie de abrigo emocional.

Já em maio de 2017, o primeiro festival feminista da Coreia do Sul, “Femmit”, teve lugar em Seul.

Por seu turno, a comunidade de bem-estar de Singapura “The Busy Women Project” visa capacitar as mulheres a viverem vidas felizes mental, física e emocionalmente.

Marca e campanhas

Em termos de marcas, a especialista em lentes de contacto tailandesa Pegavision, por exemplo, tem como público-alvo as mulheres que se sentem constrangidas por algum estereótipo.

Uma das campanhas da Pegavision foi o lançamento de um website com uma função de rastreamento ocular, interagindo quando os espectadores “reviram os olhos” perante declarações estereotipadas num vídeo.