Início Arquivo

Assim foi em 2002, assim será em 2003

A sua atracção é muito mais forte do que a maioria dos comerciantes previram. Assim, nesta época, outra vez, revelou-se uma distância grande entre as compras dos comerciantes e as compras dos clientes e isso em relação a quase todos os estilos e grupos alvo. As consequências: os ritmos de fornecimentos têm de mudar. Peças normais não suscitam o interesse dos clientes. A moda representa um solo instável e os comerciantes têm de viver com isso. É perigoso porque os gostos dos clientes mudam bastante e muito rapidamente. Mas a época de Primavera mostrou que o comércio não pode evitar preocupar-se com as tendências da moda. Porque, neste momento, essa é a única chave para o sucesso. Quando se pergunta às grandes casas de moda quais são as secções com mais sucesso, a resposta é sempre “a que tem a moda jovem”. Quando se pergunta a casas de tamanho médio, geridas pelos próprios donos, a resposta é: “calças de ganga – normais ou com aspecto estragado. Camisas com bordados ou folhos.” A questão é a seguinte: as mulheres já não usam roupas normais? A resposta é não. “Todos os artigos que têm um aspecto novo têm boas vendas. As clientes querem apresentar-se num estilo diferente do passado. Querem coisas mais jovens, mais modernas”, diz Katja Gerlach da casa de moda Gerlach, em Tostedt na Alemanha. É óbvio que ainda precisam do fato, mas a sua importância diminuiu. Gerhard Sperb da Internationale Moden Sperb, em Regengsburg, na Alemanha, está convencido de que o ramo avaliou os desejos dos clientes erradamente. “Muitas pessoas acham que todas as mulheres usam um fato durante o trabalho, mas isso já não é verdade.” “Quase não há uma procura para artigos elegantes, apenas existe uma certa pesquisa de artigos de business. A maioria dos clientes procura artigos desportivos”, diz Helgo Höchter da casa de moda Zohren, em Heinsberg. Os clientes tradicionais também desistiram das calças tradicionais num corte cónico e preferem cortes estreitos modernos – muitas vezes em combinação com casacos outdoor. Isso significa que a moda desportiva aumenta tendencialmente a sua importância, juntamente com uma preferência por peças únicas. O mesmo tecido para camisas e calças já não suscita o interesse dos clientes e neste aspecto as mulheres entre 18 e 80 anos de idade estão de acordo. O mercado exige, com toda a sua força, prazos de fornecimento mais curtos – sem atenção às dificuldade dos produtores para conseguem vencer este desafio. “No futuro, só vamos colaborar com fornecedores que conseguem efectuar encomendas de substituição. Quem não pode ou não quer fazer isso vai perder-nos como cliente”, afirma um comerciante. Parece que a próxima época de encomendas vai ser muito dura para os produtores, porque a maioria dos responsáveis pelas encomendas vê apenas uma possibilidade: “nunca a tendência para a individualidade foi tão grande. Uma reacção rápida e curtos prazos de encomendas parecem o caminho mais certo”, adianta Gerdard Sperb. Então, onde se encontram neste momento os pontos fortes no mercado de roupa para mulheres e quais são as possibilidades para o futuro? Moda desportiva em combinação com camisas e t-shirts trabalhadas parecem a base para atingir um grande número de clientes. As calças e as calças de ganga pertencem também aos favoritos, juntamente com os casacos desportivos. Seja um casaco pespontado, um casaco de ganga ou de pele, eles representam os substitutos para o casaco tradicional. As t- shirts estão em primeiro lugar das estatísticas de vendas – quanto mais trabalhadas, melhor é a venda. Preços de venda até 99 euros são possíveis, alguns artigos ainda atingem preços até 129 euros ou 139 euros. Juntamente com as blusas com bordados, as t-shirts representam a parte nova da moda. A aplicação de ornamentos, conseguiu acabar com os problemas das t-shirts. Os clientes, cada vez mais, assumem as blusas como artigos completos e não apenas como acessórios. Em vários modelos, este artigo consegue funcionar como substituto para os casacos e, neste sentido, representa uma concorrência para estes. Consequentemente, estes produtos constituem um tema interessante para os comerciantes para a época de Primavera/Verão de 2003. Pelo contrário, os fatos de casaco e calças e conjuntos vão ter um papel inferior. Neste momento o interesse centra-se nas peças soltas e flexíveis. Menos óbvia é a questão das saias e dos vestidos: há uma tendência para um estilo Gipsy ou Hippie através de modelos românticos ou folclóricos. Mas é provável que esta tendência só se note nas encomendas de substituição no mês de Fevereiro de 2003. Os comerciantes ainda não acreditam que estes produtos vão conseguir aumentar o seu volume de vendas, especialmente os vestidos de Verão. Os caminhos tradicionais têm de ser abandonados e novos têm de ser encontrados. É possível que as saias e os vestidos consigam também aproveitar a tendência dos folhos e bordados. Uma coisa é certa, o ramo tem de apresentar novos modelos aos clientes para suscitar o seu interesse.