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Associações unem-se para debater apoios do Governo

ANIL, ANIT-LAR, ANIVEC e ATP estiveram juntas numa reunião com o Governo para discutir as medidas de apoio às empresas do sector no âmbito da crise provocada pela Covid-19, numa iniciativa que incluiu ainda a oferta de máscaras sociais para consciencializar para a utilização de produtos reutilizáveis “made in Portugal”.

Miguel Pedrosa Rodrigues, Luís Ribeiro Fontes, José Alberto Robalo, Mário Jorge Machado, António Costa, César Araújo, Amadeu Fernandes, Paulo Coelho Lima e Manuel Lopes Teixeira

Na reunião com o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e com o Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, que decorreu ontem, 2 de setembro, as quatro associações empresariais pediram «medidas concretas e eficazes que permitam à indústria têxtil e de vestuário portuguesa ultrapassar os enormes desafios que se avizinham nos próximos meses, para que possamos evitar a perda de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, o encerramento de milhares de empresas, a degradação de um cluster que é único no contexto europeu e a perda da capacidade competitiva que só foi conquistada pelo espírito empreendedor e a férrea resiliência de todas as pessoas que trabalham diariamente nestes sectores de atividade», referem num comunicado conjunto.

A ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios, a ANIT-LAR – Associação Nacional das Indústrias de Têxteis-Lar, a ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção e a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal apontam que «desde março passado que o consumo de produtos têxteis e vestuário caiu drasticamente de forma generalizada em todo o mundo, afetando toda a cadeia de valor da indústria têxtil e vestuário, situação que apenas poderá mudar quando se verificar o regresso maciço da confiança dos consumidores internacionais e a retoma do poder de compra nos principais mercados de destino das nossas exportações».

Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que entre janeiro e junho, as exportações da indústria têxtil e vestuário baixaram 17,4%, para 2,21 mil milhões de euros, em comparação com os 2,67 mil milhões de euros do mesmo período do ano passado.

«Vivemos um momento de grande instabilidade e incerteza, existindo apenas algumas perspetivas de retoma para o final do primeiro semestre de 2021», afirmam as associações, que pedem, por isso, medidas de apoio ao emprego que sejam mais favoráveis para as empresas e para os seus trabalhadores.

Máscaras reutilizáveis e portuguesas

As associações foram ainda recebidas pelo Primeiro-Ministro António Costa, numa ação que pretendeu sensibilizar o Governo para «a importância de promover a sustentabilidade, através da utilização de máscaras têxteis reutilizáveis, bem como a produção nacional».

Foram oferecidas, ao Governo, máscaras produzidas pela Baptista & Soares, Calvelex, Adalberto, Gleba, Gouveia & Campos, Lameirinho, Marjomotex, P&R Têxteis, Pafil, Pedrosa & Rodrigues, Riopele, Samofil, Silsa, Subida, Tintex e TMG, representando alguns dos 2.500 modelos de máscaras certificadas produzidas em Portugal.

Manuel Lopes Teixeira, César Araújo, Mário Jorge Machado, Pedro Siza Vieira, Paulo Coelho Lima, Miguel Pedrosa Rodrigues, João Neves, Luís Ribeiro Fontes, Amadeu Fernandes e José Alberto Robalo

Durante a receção, António Costa apelou aos portugueses para usarem máscaras reutilizáveis produzidas pela indústria portuguesa, salientando algumas das vantagens das mesmas. «Evita estarmos a destruir recursos que podem e devem ser reutilizados, protege-nos contra a pandemia e protege os empregos dos que trabalham na indústria têxtil e as próprias empresas da indústria têxtil», explicou.

O Primeiro-Ministro salientou que apesar da quebra do mercado, as empresas conseguiram reinventar-se para criar algo indispensável à vida de todos os cidadãos, nomeadamente máscaras e equipamentos de proteção individual, resultado de um «enorme esforço que a indústria têxtil tem feito ao longo destes meses para se readaptar à realidade».