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Athleisure em alerta

Depois de ter sido coroado tendência do ano, o athleisure – que une moda e desporto em propostas que facilmente transitam do ginásio para a rua – está em alerta com a primeira falência. A marca Yogasmoga, sediada em Nova Iorque, declarou insolvência há dias.

De acordo com o WWD, a Yogasmoga tem entre 50 a 99 credores e o Wall Street Journal relata que os seus ativos estão avaliados entre um milhão e os 10 milhões de dólares (aproximadamente entre os 958 mil e os 9,6 milhões de euros), com a dívida a rondar a mesma grandeza.

A marca de athleisure foi lançada em 2013 como portal de comércio eletrónico, fundado pelos irmãos Tapasya e Rishi Bali, que cresceram perto de ginásios de ioga no norte da Índia. A startup Yogasmoga expandiu-se rapidamente, apostou em materiais e estratégias de marketing dispendiosos e o que começou como empreendimento digital, rapidamente foi transferido para o retalho tradicional – a Yogasmoga abriu duas lojas em 2015 e 10 em 2016.

Em declarações ao portal Racked, Rishi Bali admitiu que a insolvência foi resultado do rápido crescimento e, especificamente, da falta de uma nova ronda de investimentos, devido a «desentendimentos» com o principal investidor. «Como fundador da empresa, estou devastado com a notícia, porque é verdadeiramente difícil construir empresas», revelou. «Devido a uma combinação de fatores, não conseguimos fechar o financiamento», acrescentou.

Outra grande dificuldade enfrentada pela Yogasmoga foi o seu posicionamento inicial – desde que surgiu no mercado, o objetivo da marca era roubar o pódio à Lululemon. Em declarações ao The New York Times, Rishi Bali chegou a afirmar que esperava que a Yogasmoga superasse a Lululemon, sendo «mais autêntica». A empresa passou inclusivamente dois anos a desenvolver um corante especial capaz de garantir leggings completamente opacos – respondendo, claramente, à crise enfrentada em 2013 pela Lululemon devido aos seus modelos transparentes.

O mercado do athleisure, avaliado em 97 mil milhões de dólares, está, atualmente, saturado – Athleta, Beyond Yoga, Net-a-Porter, Under Armour, Lily Lotus, Nike, Adidas, Reebok, Old Navy, H&M, Target, Fabletics, Bandier, Vie Active, Ramy Brook, GapFit, Nancy Rose, Outdoor Voices, Sweaty Betty, ADAY, Prana, Victoria’s Secret, Mika ou Soybu são apenas algumas das marcas com artigos destindos aos amantes do fitness ou, simplesmente, de vestuário confortável. Depois, há ainda as linhas de fitness de celebridades como Selena Gomez, Heidi Klum, Carrie Underwood e Jessica Simpson, porque, na opinião dos especialistas da Fortune, «as calças de ioga são a nova fragância».

Este não será, certamente, o fim da linha para a Yogasmoga, mas possivelmente o início de uma forte reestruturação. Rishi Bali garantiu que os consumidores «continuam muito ligados à marca» e que as pessoas «adoram o seu produto». Porém, algumas lojas vão fechar portas.

Apesar das más notícias, a Yogasmoga pode ter um final feliz. A marca tem uma boa base de clientes e produtos básicos que muitos consumidores parecem apreciar, e está genuinamente enraizada na filosofia de ioga. Quantas marcas posicionadas neste segmento podem afirmar o mesmo?

Na opinião dos analistas, a situação da Yogasmoga será experimentada por mais marcas de activewear ao longo do corrente ano – afinal, todas as tendências atingem um pico.