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Athleisure reforça quota no mercado

A busca de conforto e multifuncionalidade por parte dos consumidores no que diz respeito ao seu guarda-roupa, sobretudo no decurso e após a pandemia, o surgimento de novos players e a entrada de grandes marcas e empresas no mercado deverão continuar a alimentar o crescimento do athleisure até 2025.

[©Fabletics]

O mercado mundial de athleisure atingiu os 363,9 mil milhões de dólares (cerca de 350 mil milhões de euros) em 2020, de acordo com o estudo “Athleisure Market Size by Regions and Categories, Key Trends and Brands, and Forecast, 2020-2025” da GlobalData.

O mercado deverá crescer a uma taxa composta anual de mais de 7% até 2025, com as projeções iniciais a darem conta de que se terá expandido em 2021 devido à maior popularidade deste tipo de vestuário durante os confinamentos da primavera, ao mesmo tempo que os desportos organizados e de equipa regressaram, impulsionando o segmento de activewear do mercado, e a socialização voltou mais ou menos ao normal, levando os consumidores a gastarem em artigos de gama mais alta.

«A pandemia estabeleceu as preferências dos consumidores de usarem artigos de athleisure mais casuais e os hábitos de treino também contribuíram para este aumento. O crescimento será ainda impulsionado pela presença de mais marcas no mercado, com um incremento crescente tanto de especialistas em sportswear ou marcas de athleisure, como de não-especialistas a lançar coleções», destaca a GlobalData, que aponta como principais players do mercado a Sweaty Betty, a Asos, a Li-Ning, a Fabletics, a Gap, a Gym+Coffee, a Adanola, a Tala e a Hera.

Em 2020, o athleisure tornou-se importante para os consumidores que desejaram, mais do que nunca, vestuário confortável e multifuncional que pudessem usar do trabalho para casa, socializar no exterior e fazer exercício. Como tal, a quota do athleisure no mercado total do sportswear aumentou. Em 2021, esta quota caiu inicialmente, mas foi depois impulsionada novamente pelos confinamentos na primavera, que levaram a uma maior procura por artigos como leggings e sweatshirts.

Além disso, refere a GlobalData, o casualwear inspirado pelo desporto irá reter a sua quota mais alta no mercado de athleisure mesmo em 2025, à medida que as marcas de moda entram na tendência e artigos como sweatshirts e joggers se tornam essenciais do quotidiano para muitos consumidores.

Procura em crescendo

Uma combinação de tendências de moda e um crescente interesse pela saúde e bem-estar que emergiu durante a crise de covid-19 deverão continuar a impulsionar as vendas de athleisure. Para aproveitar a procura do consumidor por vestuário de desporto confortável, marcas de desporto de referência estão a expandir as suas gamas casuais e novas marcas focadas em athleisure estão a emergir. A somar a isso, os consumidores estão a preferir, cada vez mais, um guarda-roupa versátil e multifuncional, composto por estilos que podem usar tanto para treinar como para lazer. Artigos como leggings e ténis têm um custo mais baixo por utilização, preenchendo também o desejo de sustentabilidade dos consumidores. Surgiram recentemente várias marcas de athleisure que pretendem ser mais sustentáveis do que as suas concorrentes convencionais.

A exigência de inclusão levou as marcas a colocarem a diversidade no centro dos seus negócios, campanhas e desenvolvimento de produto, aponta a GlobalData. Diversas marcas inclusivas de athleisure emergiram para fornecer athleisure e vestuário de desporto a todas as formas e tamanhos. Os grandes players também lançaram gamas de tamanhos grandes e começaram a mostrar uma variedade maior de formas e características corporais nas suas campanhas publicitárias e manequins nas lojas, assegurando uma maior representatividade de consumidores.

Ásia-Pacífico soma adeptos

Em termos geográficos, as Américas são o maior mercado de athleisure, com mais de 38% de quota em 2020, e esta tendência deverá continuar até 2025. Contudo, há um forte crescimento nos mercados emergentes da região da Ásia-Pacífico, sobretudo na China e Índia. «Isso deve-se ao crescimento das classes médias, maior participação no desporto e a normalização de vestir athleisure no dia a dia», justifica a GlobalData. «Os consumidores chineses também têm uma maior propensão a comprar vestuário de luxo, que muitas vezes adota as tendências de streetwear e athleisure», acrescenta. O aumento das vendas na Ásia-Pacífico foi ainda alimentado por grandes eventos desportivos, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, em 2021, e os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, em 2022.

A quota da Europa no mercado de athleisure irá descer até 2025, refere a GlobalData. Contudo, os países da Europa de Leste deverão demonstrar um forte potencial no mercado.

Na região de África e Médio Oriente, a África do Sul é o maior mercado para o athleisure devido à popularidade do desporto, incluindo futebol, rugby e atletismo. Em segundo lugar, em termos de penetração no mercado, surgem os Emirados Árabes Unidos.

Ao nível do tipo de artigo, as principais categorias são o vestuário, calçado e acessórios. Em 2020, o vestuário teve uma quota de mercado superior a 67%. O vestuário de senhora deverá registar o maior crescimento, seguido do vestuário de homem e do de criança. A preferência das mulheres por modelos confortáveis, mas com estilo, como leggings e sweatshirts, terão um papel fundamental no crescimento do mercado. Já o vestuário de criança irá sentir o menor aumento, uma vez que é menos afetado pelas tendências e os pais tomam, geralmente, as decisões de compra. O calçado de senhora terá uma performance melhor do que o de homem e o de criança.