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Ativos da Moretextile em novas mãos

As dificuldades enfrentadas pelo grupo de têxteis-lar levou à sua dispersão, com outras empresas a preservarem o seu know-how. Depois da Tearfil ter ficado nas mãos da SMBM e da Felpinter ter adquirido a JMA, a Mabera comprou a Coelima, restando somente a António Almeida & Filhos com o futuro em suspenso.

Criada em 2011 para agrupar três das maiores empresas da indústria de têxteis-lar – a António Almeida & Filhos, que detinha também a fiação Tearfil, a Coelima e a JMA –, adquiridas pelo Fundo de Recuperação de Empresas, detido pelo Estado e pelos cinco maiores bancos portugueses, a holding Moretextile passou a ser um colosso do sector, mas 10 anos depois, os seus ativos estão a ser dispersos por outras empresas.

A primeira foi a fiação Tearfil, ainda em 2019, que foi adquirida por Maria de Belém Machado, acionista da SMBM, juntamente com Bernardino Andrade, administrador da SMBM, e Aurora Cunha, estes últimos como sócios minoritários.

«Neste momento, o objetivo é aproveitar tudo de bom que a empresa tem. Entretanto vamos construir uma estratégia com novos mercados e novos produtos», revelou na altura Bernardino Andrade ao Portugal Têxtil.

Já numa nota enviada à comunicação social, a Moretextile afirmava que «esta aquisição permitirá capturar sinergias e potenciar o valor acrescentado desta unidade, garantindo os postos de trabalho e o investimento no seu desenvolvimento. A Tearfil manterá a sua autonomia, de forma a potenciar a sua flexibilidade e agilidade, com benefícios para os clientes e parceiros».

Vendas em 2021

Já este ano começaram as notícias mais claras das dificuldades do grupo. A insolvência da Coelima foi submetida em abril e, já em junho, a JMA, especializada em felpos, cuja venda estaria já acordada desde dezembro do ano passado, passou formalmente para a Felpinter. Segundo notícia do Público, a escritura terá sido realizada a 23 de junho «e envolverá cerca de dois milhões de euros, a pagar em vários anos. O principal credor financeiro é o BCP, mas como o valor da venda não cobre as dívidas, a empresa deverá apresentar-se como insolvente perante a justiça».

Dois dias depois, a 25 de junho, seria a vez da Coelima ver o seu futuro definido, com a aprovação em assembleia de credores da proposta apresentada pela Mabera, que concorria com os consórcios RTL/José Fontão e Felpinter/Mundotêxtil. Além dos 3,6 milhões de euros que a Mabera irá pagar na data da escritura – que o administrador de insolvência Pedro Pidwell espera que seja agendada até 31 de julho – pelos ativos da Coelima, a Mabera assegura a entrada imediata de 200 mil euros para tratar de despesas operacionais urgentes, como os salários do mês passado.

Em declarações aos jornalistas no final da assembleia, o advogado da Mabera, José Moreira da Costa, referiu que «a Coelima tem que ser defendida, têm que ser assegurados os postos de trabalhos, a atividade da empresa e recuperar a credibilidade perante os credores e fornecedores».

Futuro incerto na António Almeida & Filhos

Já na passada sexta-feira, 9 de julho, foi entregue o pedido de insolvência da António Almeida & Filhos no Tribunal de Comércio de Guimarães, depois do Fundo de Recuperação «ter rejeitado as três propostas de compra que tinha em cima da mesa», avança o Público.

Além da António Almeida & Filhos, que detém a marca Home Concept, foi ainda apresentado o pedido de insolvência para duas outras empresas associadas à Moretextile: a Morecoger-Energia SA e MoreTextile Imobiliária SA.

De acordo com o Guimarães, agora!, «o juiz ou juíza do Tribunal de Comércio de Guimarães a quem foram distribuídos os processos ainda não confirmou quem será o administrador das insolvências, sendo certo que não é crível que haja a junção dos processos».