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Atrair talentos

A indústria de moda lusa tem vindo a atrair, e a lançar, designers de outras nacionalidades, de Espanha ao Brasil, e até a motivar o regresso de portugueses que começaram a sua carreira além-fronteiras.

Davi

É o caso de David Catálan. Nascido em Alfar, La Rioja, em Espanha, o designer veio para Portugal há cerca de uma década. «Vim pela Maria Gambina. Vim fazer Erasmus porque queria trabalhar com ela. Estive a estagiar com ela um ano e depois fiquei», conta ao Jornal Têxtil. Uma decisão que, para já, é irreversível para o designer espanhol, que além de desfilar no Portugal Fashion ganhou igualmente um lugar no calendário oficial da Semana de Moda de Milão. «Estamos no calendário oficial da moda de homem desde a primeira vez que participamos [há cinco estações].

David Catálan

É muito bom a nível de imprensa e de stylists. Mesmo quando não resulta tanto em vendas, ajuda muito», confessa o designer.

Para David Catálan, Portugal é também a plataforma produtiva, contando com parcerias na indústria, nomeadamente com a Riopele, a Troficolor e a lavandaria Class Wash. «Ter tecidos como os da Troficolor e da Riopele é uma grande vantagem para mim, porque a qualidade que elas têm reflete-se depois nas peças e ajuda-me muito a vender», reconhece. Aliás, sublinha o designer, apesar de ser espanhol, a marca é «made in Portugal. Tudo é feito cá, exceto os sapatos, que são de uma marca espanhola que é da minha terra, de uns amigos de infância».

De Espanha veio também Victor Huarte há mais de quatro anos, igualmente para um Erasmus. «Vim fazer Erasmus, para quatro meses, mas passado uma semana já sabia que queria ficar aqui, porque gostei muito. Depois foi surgindo uma coisa, a seguir outra, e acabei por ficar», revela. O concurso Bloom abriu-lhe as portas para a apresentação da sua marca própria Huarte na passerelle, mas também para um trabalho como designer na Salsa. O futuro perfeito, de resto, passa por se manter em Portugal, a trabalhar em ambos os projetos. «Gostava de ver a minha marca crescer e conciliar com o meu trabalho na Salsa, onde continuo a aprender imenso e onde tenho cada vez mais responsabilidades», admite.

Victor Huarte

Já Davi, o designer por detrás da marca Davii, atravessou o Atlântico. Autodidata e com um percurso profissional anterior na área da mecânica, chegou a Portugal e abriu um atelier no Porto, onde cria peças únicas e numeradas. «No Brasil já trabalhava com moda. Quando saí da minha oficina [automóvel], fui convidado para trabalhar numa representação de vendas chamada Mercado Mundo Mix, um mercado alternativo que viajava por todo o Brasil», adianta. A presença no Portugal Fashion, assevera o designer, que vende para Itália, Espanha e França, «deu-me a oportunidade de me aprimorar, porque, quer queiramos, quer não, estamos a apresentar uma coleção e temos que fazer uma bela coleção, com bons acabamentos».

Regresso às origens

Nuno Miguel Ramos

Para Nuno Miguel Ramos, pelo contrário, é um regresso às origens. Depois dos estudos na Escola de Arte e Design F + F, em Zurique, e na École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, em Paris, trabalhou como designer de produto com Caroline de Marchi, como designer assistente com Sonia Rykiel e como designer com a Irié em Paris. No ano passado fez a sua estreia no Portugal Fashion em nome próprio. «Metade do meu trajeto no estrangeiro não foi na moda – foi em trabalhos em restaurantes, limpezas, a tratar de crianças, montes de coisas que tive que fazer, a fazer pizzas, a cozinhar, a ajudar os chefes na cozinha, a lavar pratos…, mas foi preciso para eu ter experiência de vida, que é muito importante para depois me conseguir desenrascar noutras coisas», assegura.

A passerelle do Portugal Fashion tem permitido ao designer ganhar o reconhecimento do público, incluindo nas redes sociais, mas o sonho continua em Paris. «É a Semana de Moda com que mais me identifico», assume Nuno Miguel Ramos. «Estudei vários designers em Paris, onde estamos rodeados por Saint Laurent, Balenciaga, etc., e vamos interiorizando. Sempre tive curiosidade sobre estes designers e é normal que tenha influências deles, como o preto, os nudes, a transparência, que vêm um bocado dessa era dos imperadores que já não existe», destaca.