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Aumento nos preços do algodão ameaçam lucros asiáticos

O efeito conjunto do aumento dos preços do algodão e da capacidade produtiva, em cerca de 1/3 na China ao longo dos últimos dois anos, ameaçam estrangular as margens de lucro dos produtores de têxteis da Ásia. De acordo com os dados da ING Financial Markets, os preços do algodão aumentaram 38% este ano (aumento que foi estimulado pela informação da redução nos resultados da colheita da China). Entretanto, a capacidade de produção de têxteis de algodão na China aumentou entre 30 e 40%, ao longo dos últimos 2 a 3 anos, segundo dados fornecidos pela multinacional Merrill Lynch. Enquanto alguns observadores do mercado esperam que os preços crescentes do algodão sejam absorvidos pelos retalhistas e pelo consumidor final, os produtores de têxteis chineses estão a perder a vantagem do preço e ficarão vulneráveis a margens apertadas durante o próximo ano, segundo refere uma fonte da Merrill Lynch em Singapura. As empresas na Índia, o segundo maior consumidor mundial de algodão, estão também a enfrentar as consequências dos maiores custos da fibra, que aumentou cerca de 25% nos últimos 4 meses. O sector têxtil indiano beneficiou em 2003 com a transição de encomendas da China, devido aos receios gerados pelo vírus SRAG. Com as notícias de que o surto está sob controlo, a Índia perde a estreita vantagem que possuía relativamente ao seu principal concorrente asiático. De acordo com a opinião de empresários indianos, o aumento no preço do algodão está a afectar as margens das empresas produtoras de têxteis de algodão, onde cerca de 50% dos custos estão associados à matéria-prima. Representantes da associação de empresas têxteis do Paquistão (APTMA) encontraram-se com representantes governamentais para discutir as consequências, geradas pelo actual aumento nos preços do algodão, e apresentar propostas de medidas, como a importação de algodão, de forma a evitar o esmagamento das margens das empresas têxteis. O esmagamento das margens toma proporções preocupantes na medida em que a maior parte dos exportadores já reservaram as encomendas às empresas, tendo por base um valor estimado que não contempla o aumento significativo verificado nos preços do algodão. Dois anos após chegarem ao valor mais baixo dos últimos 29 anos, cifrando-se nos 0,29 dólares/libra (0,56 euros/kg), os analistas prevêem que os preços do algodão subam para cima dos 0,70 dólares/libra (1,33 euros/kg), durante a corrente época. Empresas consideradas como vulneráveis incluem a Texvinca Holdings e a Fountainn Set (Holdings) Ltd., que em conjunto representam cerca de metade da produção mundial de tecidos de malha, a maior parte da produção está localizada na China. A Victory City International Holdings Ltd. e a Weiqiao Textile Co. Ltd., o principal produtor de têxteis chinês, poderão estar também expostos ao aumento prolongado nos preços do algodão, assim como outros produtores da Ásia do Sul, como a Arvnd Mills na Índia e a Nishat Mills no Paquistão. Devido aos baixos stocks da fibra, as empresas são compelidas a adquirir o algodão, recorrendo quer ao mercado interno, quer externo. De acordo com responsáveis da Weiqiao Textile, existe o intervalo de um mês para que os preços do fio de algodão reflictam o acréscimo verificado na fibra, sendo o custo do fio responsável por cerca de 50% do custo associado ao tecido. De acordo com fontes da Merrill Lynch, os produtores de têxteis chineses vão ser confrontados com a necessidade de aumentarem os seus preços entre 8 e 10%. Acresce ainda a esta conjuntura as pressões sobre o governo chinês relativamente à correcção da subvalorização da sua moeda (estimada em 40% pela ATMI), que desrespeitando as regras de comércio mundial, tem contribuído positivamente para a capacidade de exportação do país. As regras do jogo começam a mudar ligeiramente para a indústria têxtil chinesa. Partindo de uma posição em que a dinâmica empresarial era marcada pelo volume de produção, as margens associadas ao produto final começam a assumir um peso cada vez mais significativo no mercado global.