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Aumentos salariais à lupa

As despesas com pessoal serão o foco principal dos comunicados institucionais emitidos pelos retalhistas americanos nas próximas semanas, com várias empresas sob pressão para aumentar os salários numa altura em que os baixos níveis de desemprego conferem maior poder de negociação aos trabalhadores.

FILE - In this May 27, 2007 file photo, a customer shops at a Gap store in Palo Alto, Calif. Gap is taking a lot of flak online for stealthily swapping out its decades-old white-on-navy blue logo. (AP Photo/Paul Sakuma, File)

Gigantes do retalho como Wal-Mart, Target Corp, T.J. Maxx, Gap e McDonald’s anunciaram já aumentos salariais e a tendência parece propagar-se entre as entidades dos sectores do retalho e restauração.

«A competição por esse posto de trabalho é mais dura para o empregador. O empregado tem uma escolha agora», acredita Thomas Sudyka, diretor administrativo na firma de investimento Lawson Kroeker, sediada em Omaha, no estado americano do Nebraska.

No atual período fiscal, empresas como Bed Bath & Beyond e Buffalo Wild Wings discutiram a pressão salarial, enquanto a Pier 1 Imports estabeleceu um plano de incentivos pela primeira vez em três anos.

Os trabalhadores da indústria de fast-food apelam, também, ao pagamento de salários mais elevados. Em protesto, percorreram várias cidades americanas no dia 15 de abril, contestando os baixos salários pagos por diversas corporações americanas, que se revelam insuficientes para suprir as necessidades básicas dos trabalhadores da indústria.

O governo dos EUA anunciou recentemente o aumento do número de postos de trabalho e a diminuição da taxa de desemprego para de 5,4%, o valor mais baixo dos últimos sete anos, enquanto os ganhos por hora aumentaram três cêntimos do dólar em abril, traduzindo um aumento anual de 2,2%.

Resultados
Os retalhistas Macys, Kohl’s e Home Depot definem os seus salários numa base de análise de mercado-a-mercado, uma vez que a situação concorrencial varia em todo o país. A Kohl’s considera, também, outros fatores que impulsionam as decisões dos empregados, como o ambiente de trabalho e oportunidades futuras de crescimento profissional.

A Staples discutiu a criação de um fundo de incentivos em 2014, que serão pagos este ano, sem, no entanto, adiantar pormenores.

A Bed Bath & Beyond comunicou, no decorrer de uma conferência que teve lugar no início de abril, o planeamento de uma despesa adicional de 6 cêntimos do dólar por ação este ano, decorrente do aumento das compensações. Os analistas esperam ganhos de 1,91 dólares por ação em 2015, em termos reportados, de acordo com dados divulgados pela Thomson Reuters I/B/E/S.

«Estamos a planear um aumento dos nossos investimentos em compensações e benefícios, superando o que alguma vez planeamos historicamente, como forma de preservarmos a nossa capacidade de atrair e reter os melhores colaboradores», explicou Sue Lattmann, diretora financeira da empresa, em comunicado aos investidores.

Salários mais altos, custos mais elevados
Diversas empresas procurarão diminuir os custos ou aumentar os preços como forma de absorver a despesa suplementar, resultante do aumento dos salários, refere Sudyka.

Na conferência trimestral, que se realizou no dia 28 de abril, a Buffalo Wild Wings comunicou aos investidores estar a ser pressionada para aumentar o salário mínimo dos trabalhadores, assim como os salários dos trabalhadores mais bem remunerados. Somam-se, também, custos adicionais resultantes da criação de novos postos de trabalho, destinados a promover o aumento das vendas.

O diretor de operações da empresa, James Schmidt, indicou aos investidores que «se os custos laborais estão um pouco mais elevados, mas estão a impulsionar as vendas na mesma base de lojas, analisaremos e tentaremos outras linhas de ganhos e perdas onde possamos recapturar [esses gastos]».

Alguns analistas adiantam que os aumentos salariais serão aceites pelos investidores, uma vez que, melhores salários se traduzem frequentemente num aumento das vendas, impulsionadas pela maior disponibilidade financeira dos consumidores.

«Mesmo que as empresas não consigam transferir os custos, será um impacto único e poderemos crescer a partir daí», concluiu Sudyka.