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Aumentos salariais abalam sourcing

As empresas querem diminuir a sua dependência da China no que toca ao aprovisionamento, tendo em conta a guerra comercial com os EUA. Porém, este ano, o sector terá também que lidar com os aumentos salariais em países como o Vietname ou a África do Sul.

Vietname

Com a guerra comercial entre a China e os EUA, vieram taxas mais altas e incertezas. Porém, 2019 é também o ano em que vários países alternativos à China aumentam os salários mínimos, divulgados pelo Sourcing Journal, que trazem um incremento dos custos laborais.

Vietname

O Vietname, provavelmente o maior beneficiário da guerra comercial entre os EUA e a China, vai registar um aumento do salário mínimo em 2019. Ainda que desta vez o valor seja mais baixo do que o último aumento de 6,5%, o Conselho Nacional Salarial do Vietname propôs subir o salário mínimo em 5,3% em 2019, fazendo com que os pagamentos aumentem entre 7 a 9 dólares por mês (entre 6 a 8 euros). Ainda este mês, o salário mínimo mensal vai subir – dependendo do custo de vida de cada região – para entre 2,92 milhões de dongs vietnamitas (cerca de 109 euros) e 4,18 milhões de dons (157 euros).

México

Depois de ultrapassar possíveis obstáculos com o recém estabelecido acordo EUA-México-Canadá, a indústria terá agora de lidar com custos mais elevados nos fornecimentos do país mexicano. A comissão salarial mexicana revelou, em dezembro, que irá aumentar o salário mínimo no país em 16%, para quase 5 dólares por dia, e as subidas vão continuar de acordo com a inflação, segundo a Reuters.

México

Trata-se de um incremento de 71 cêntimos de dólar por dia e a maior percentagem de aumento salarial no México desde 1996. O novo salário será de 102,68 pesos (4,47 euros) por dia, o que resulta em cerca de 107 euros por mês, tendo como base uma semana de trabalho de seis dias. Em regiões mais próximas dos EUA, o valor diário será de 176,72 pesos (quase 7,70 euros). Além de melhorar o bem-estar dos trabalhadores, o aumento do salário tem também como objetivo aumentar o poder de compra dos trabalhadores com rendimentos mais baixos.

Bangladesh

Desde 2013 que o salário mínimo mensal no Bangladesh era de 5.300 takas (cerca de 55 euros). Depois de um acordo firmado em setembro, o valor deveria ter aumentado para 8.000 takas (cerca de 82 euros) em dezembro. Porém, o aumento ainda não teve efeito, já que cerca de 50 fábricas estão encerradas devido a greves laborais. Segundo os órgãos de comunicação locais, os empresários estão a elaborar uma nova estrutura de pagamento e deverão implementar o aumento salarial em janeiro. Se tal acontecer, irá registar-se um incremento de 51% nos custos laborais no Bangladesh.

Camboja

Em outubro, os trabalhadores do sector do vestuário no Camboja conquistaram um aumento de 7% no salário mínimo mensal, aumentando-o 12 dólares (cerca de 10 euros), para 182 dólares (cerca de 158 euros). O aumento é menor do que o incremento de 11%, registado em outubro do ano anterior, o que levou a meses de agitação social no país.

Camboja

Contudo, um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho revela que as condições de trabalho no sector do vestuário e do calçado no Camboja melhoraram, com áreas como o trabalho infantil e o pagamento de salários a progredir, ainda seja necessária «uma mudança sustentada», segundo o relatório.

Myanmar

Em abril deste ano, o salário mínimo de Myanmar subiu 33% para 4.800 kyats (cerca de 2,60 euros) por dia. O valor do salário mínimo não aumentava no país desde 2013. O novo valor foi inferior ao incremento exigido de 55%, para 5.500 kyats. A contar com o valor já em vigor, os trabalhadores em Myanmar ganham cerca de 63 dólares por mês (cerca de 54 euros).

Lesoto

Lesoto

Para os que estão de olho em África para as suas necessidades de aprovisionamento, os custos laborais no Lesoto tornaram-se mais elevados. Em agosto, depois de meses de negociações, o salário mínimo mensal no país aumentou 62%, para 138 dólares (cerca de 120 euros), comparativamente aos 85 dólares anteriores (cerca de 74 euros). O aumento foi resultado das exigências dos trabalhadores e dos sindicatos, depois de o Ministério do Trabalho do país africano ter sugerido um aumento de 7%, um valor que os sindicatos consideraram insuficiente, tendo em conta a inflação.

África do Sul

Na mesma região, os salários na África do Sul aumentaram novamente em 2019. O Sindicato dos Trabalhadores em Vestuário e Têxteis da África do Sul concordou com um aumento de 7,75%, que teve efeitos a partir do dia 1 de julho de 2018. Em 2019, o valor aumenta mais 7,5% para 20 rands (cerca de 1,20 euros) por hora, o que resulta num salário de cerca de 271 dólares (quase 236 euros), tendo como base dias de trabalho de nove horas.