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B. Sousa Dias sorri ao futuro

Após dois anos relativamente estáveis, a produtora de têxteis-lar está pronta para crescer em 2020. O investimento em maquinaria e na automatização do processo produtivo, bem como a reforma de quadros a nível interno poderão estar na base de uma nova vaga de crescimento, que antecipa atingir os 15%.

Fernando Dias

Em 2017, a especialista em felpos iniciou um programa de investimento em novos teares, para substituição das máquinas já obsoletas, que totalizou 1 milhão de euros. Depois de concluída a instalação, que foi acompanhada por uma renovação ao nível dos quadros de trabalhadores, a B. Sousa Dias apresenta agora uma capacidade produtiva que varia entre 800 e 900 toneladas anuais.

Subcontratando o tingimento e os acabamentos, a empresa integra os processos de tecelagem, confeção e bordados, obtendo uma variedade de artigos que vão desde as toalhas de banho ou praia (com maior representatividade) até aos têxteis para cama, cozinha e mesa.

Este ano, apesar da conjuntura internacional não ser totalmente favorável, a B. Sousa Dias antecipa uma subida do volume de faturação de 15%. «No ano passado, não se registou um crescimento, porque houve uma transformação bastante grande na empresa», explica Fernando Dias, o presidente do conselho administração da empresa, revelando que 2019 fechou contas perto dos 5 milhões de euros. Em 2020, «a expectativa é crescer um pouco, entre os 10% e 15%, com ideias diferentes, com serviço de qualidade», adianta ao Portugal Têxtil.

Desbravar horizontes

A taxa de exportação de 95% leva a empresa até aos mercados de França, Espanha, Alemanha e EUA. No entanto, a forte concorrência com base no preço por parte de países como a Turquia dificulta a competitividade da B. Sousa Dias no panorama internacional. «[Os clientes] são mais fiéis quando [a encomenda] implica quantidades menores», admite o presidente. «O artigo que vende melhor é distinto e vende-se em menos quantidades, portanto, em certos países, a concorrência é bem menor», reconhece.

Ainda assim, a produtora «tem estado constantemente a desbravar mercados», nas palavras de Fernando Dias. Em vista, está a América Latina, o Leste Europeu, a zona do mar Báltico e, possivelmente, a Austrália. «Ainda há dias viemos da Austrália», mas ainda «vamos tentar explorar melhor o mercado», assume.

No sentido de corresponder à procura dos clientes, os 90 trabalhadores da especialista em têxteis-lar prepararam, para 2020, uma coleção de produtos sustentáveis, onde se inclui o algodão biológico e o linho. «Tivemos que nos certificar com o GOTS, porque há alguns clientes, nomeadamente da Escandinávia e de França, que só querem mesmo produtos feitos com algodão biológico», justifica.

Para o futuro, a B. Sousa Dias está a contar que a «conjuntura se modifique», para que a empresa tenha margem para «investir na confeção que pode suprimir uma grande parte da mão de obra e [proporcionar] outras performances», ao mesmo tempo que facilita o crescimento da faturação, conclui o presidente.