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Bactérias invadem vestuário

…e calçado. Utilizando uma tecnologia revolucionária que conta com a ajuda de bactérias, um grupo de investigadores do MIT está a desenvolver sapatilhas e roupa desportiva capaz de reagir à transpiração do utilizador.

Num artigo publicado na revista Science Advances, investigadores do grupo Tangible Media do MIT Media Lab revelam como bactérias que dilatam e encolhem em função da humidade podem ser usadas para produzir vestuário e calçado de alta performance.

Alguns dos detalhes da investigação tinham já sido explicados num vídeo publicado no YouTube em 2015, no seguimento da parceria entre os investigadores do MIT, a marca New Balance e designers do Royal College of Art, que resultou num novo tipo de vestuário que se torna mais respirável à medida que aumenta a humidade e o calor corporal do utilizador, como avançou o Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de janeiro de 2016 (À distância de um clique).

Na altura, a equipa de investigadores do MIT, liderada por Lining Yao, criou um biofilme com as bactérias, que foi posteriormente colocado em camadas sobre peças em poliuretano. Os organismos são cultivados em laboratório, reunidos através de um sistema de impressão de resolução mícron e transformados numa espécie de “segunda pele”. O material reage ao calor do corpo e à transpiração, fazendo com que se abram pequenas aberturas – uma espécie de flaps, como nos aviões – à volta das zonas quentes, permitindo que o suor se evapore e arrefecendo o corpo através de um influxo de material orgânico. As células reagem aos níveis de humidade – em contacto com a humidade levantam-se, voltando à forma normal apenas quando secam.

Em 2016, este projeto de investigação, batizado “bioLogic”, foi distinguido com o prémio Innovation By Design.

Sapatilhas com bactérias que brilham

A vez do calçado

Mas, tal como prometido, a aplicação da tecnologia está a evoluir para incluir outras funcionalidades, como ténis de corrida.

Na nova fase da investigação, em vez de usar as bactérias no seu estado natural, a equipa foi capaz de modificá-las geneticamente para que estas brilhem e se expandam quando há humidade suficiente. «Agora podemos considerar as bactérias como uma interface programável», afirma Lining Yao, à Fast Company.

A bactéria – bacillus subtilis – vive na planta seca do arroz e foi descoberta há 1.000 anos por um samurai japonês que percebeu que a sua presença poderia fermentar a soja. Durante centenas de anos foi usada para fabricar o prato japonês nattō, antes dos cientistas decidirem usar as suas características para este projeto.

Yao explica que os investigadores criaram dois designs para as sapatilhas. O primeiro é baseado no facto de a planta do pé transpirar mais, pelo que os flaps de ventilação estão localizados ao longo da palmilha. O segundo tem flaps que cobrem todo o pé, a fim de melhor demonstrar como a intensidade da iluminação muda no escuro com o aumento da transpiração.

Embora atualmente as bactérias nos dois protótipos sejam usadas apenas para abrir e fechar os flaps e para emitir brilho, podem ter outras funcionalidades, como mudar de cor ou expelir aromas.

O próximo passo do projeto é, de resto, encontrar uma forma de manter as bactérias vivas quando são aplicadas no têxtil, porque aumentam a atividade. Em particular, Yao sublinha que, se as bactérias estiverem metabolicamente ativas, podem expelir aromas.

Outra área de interesse dos investigadores passa por encontrar uma forma de embeber as bactérias numa fibra que possa ser tecida, ou seja, que se adeque aos processos de produção existentes, para mais rapidamente fabricar peças de vestuário.