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Balanço positivo para o calçado

No seminário “Avaliação do Projeto de Promoção Externa” realizado ontem, sob a chancela da Apiccaps em parceria com a Aicep, foram colocadas em evidência questões relacionadas com a análise e evolução do sector, apoios à internacionalização e o plano de ação para 2018.

«Ao nível das ações realizadas, no longo prazo, é uma evolução naturalmente crescente (…) a mesma lógica para o número de participações, que tem sido crescente», referiu Carlos Silva, do gabinete de Estudos da Apiccaps, revelando a concretização de 750 participações e 70 ações com um investimento, desde o segundo semestre de 2016 até à data, de 16,7 milhões de euros em feiras internacionais.

Dos inquéritos realizados aos participantes verificou-se que os principais objetivos das empresas são «conquistar novos clientes 97%, 87% diz que foi para aumentar as exportações, 62% para testar novos produtos e 75% para abordar novos mercados», sendo que 55% dos inquiridos assumem ter sido parcialmente bem-sucedidos e 23% garantem ter cumprido as expectativas, revelou Carlos Silva.

«As empresas estão a ir a feiras, mas estão, cada vez mais, a conseguir novos contactos. Ou seja, estão a conseguir diversificar a sua carteira de clientes e a conseguir evoluir em termos de diversificação dos seus mercados», sublinhou Carlos Silva.

No que diz respeito às exportações portuguesas de calçado «desde 2009, já evoluíram 8% ao ano, estamos a falar de uma evolução de 1.232 milhões de euros para 1.923 milhões de euros [em 2016]» apontou.

A candidatura para 2018 prevê o desenvolvimento de 54 ações, 180 empresas e 680 participações.

Análise do sector

A análise ao sector, dimensionado pelas empresas de fabricação de calçado (79%), fabricação de artigos de viagem e de uso pessoal, de marroquinaria, de correeiro e de seleiro (6%) e de fabricação de componentes para calçado (15%), foi executada pela Informa D&B, que deu conta da existência de 1.713 empresas «com atividade comercial, ou seja, empresas que publicaram as suas contas na plataforma IES – Informação Empresarial Simplificada», explicou Rodrigo Bernardo, gestor de clientes.

O universo total de empresas ativas é de 2.227 empresas, quando incluído o número de empresários em nome individual.

Rodrigo Bernardo

Dos dados apresentados, destaca-se o surgimento de 147 novas empresas em 2017, revelando «uma taxa de substituição positiva dentro do sector», reconheceu Rodrigo Bernardo.

Os indicadores do sector mostram que «39% das empresas são exportadoras e 64% do volume de negócios é feito para o mercado externo», integrando 44 mil profissionais no sector e somando um volume de faturação na ordem dos 1.500 milhões de euros. «O sector conta com 39% de empresas exportadoras, quando olhamos para o tecido nacional as exportadoras são 17% (…) O sector exporta 64% daquilo que produz e a totalidade do mercado nacional exportará 19%, portanto, uma diferença brutal que mostra bem para onde é que os empresários do sector olham quando pensam em vender o seu produto», explicou o gestor de clientes.

A área geográfica dominante é, sem surpresas, a Região Norte que detém «mais de 95% das empresas, do volume de negócios e de exportação», concentrando em Felgueiras (34%), Oliveira de Azeméis (16%) e Santa Maria da Feira (12%) os principais polos da indústria.

«Do conjunto destas empresas do sector, 78% delas têm um risco mínimo ou um risco reduzido» de virem a cessar atividade com prejuízo num horizonte temporal de 12 meses, admitiu Rodrigo Bernardo.

A visão de Paris

A representar o primeiro mercado exportador da indústria (20%), França, esteve Sylvie Pourrat, diretora-geral da feira Première Classe, que fez uma abordagem ao motor da moda que é Paris.

«Mudança» foi uma palavra frequente no vocabulário de Sylvie Pourrat, que utilizou para descrever a mudança dos tempos, mudança dos comportamentos, mudança na moda e mudanças políticas que ocorreram no país.

«Há três anos atrás, aconteceram algumas coisas que mudaram as regras de Paris. Paris mudou para algo novo», destacou Sylvie Pourrat, ressalvando que «Paris tem a missão, todos os anos, de lançar as tendências e de abrir os horizontes ao mercado».

Sylvie Pourrat

Apontando para a convivência entre o “digital vs real”, Sylvie Pourrat afirmou que «estamos a experienciar um novo vocabulário na indústria da moda, combinando o digital e os métodos antigos. É um novo vocabulário para os negócios».

De acordo com a diretora-geral da Première Classe, os novos players da indústria estão a introduzir novos valores baseados na sustentabilidade, na autenticidade e na economia circular.

Sylvie Pourrat apresentou, ainda, algumas características que retratam o comportamento dos consumidores e do mercado. As estatísticas mostram que os consumidores já não são fieis às marcas e Pourrat ressalvou que «aquilo que temos a certeza, hoje, é que a volatilidade é o novo normal».

Reconhecendo Portugal como líder na indústria do desporto, a diretora-geral da Première Classe atentou ainda para a previsão global do aumento de 3.7%, até 2018, da quantidade de dinheiro gasto em inscrições de ginásio, indicando uma janela de oportunidades para os empresários portugueses.