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A agonia da Banana Republic

A moda feminina move-se à velocidade da luz e a Banana Republic parece incapaz de acompanhar a cadência das alterações constantes, estando a ficar para trás num mundo dominado pela fast fashion.

A marca icónica está a ser esmagada por outros nomes de destaque internacional mais acessíveis, como a H&M, Zara e Forever 21. A Banana Republic está, claramente, em declínio – as suas vendas caíram 12% no último trimestre e 15% só no mês passado.

Na tentativa de justificar estes resultados dececionantes aos investidores, a Banana Republic apontou as «dificuldades de aceitação dos produtos» pelo público feminino da marca.

Na tradução de Paula Rosenblum, sócia-gerente da consultora de retalho RSR Research, «isso significa que as pessoas odeiam os seus produtos».

 Falta de agilidade

O problema de marcas de retalho maduras como a Banana Republic reside no facto de desenharem e encomendarem as suas peças de vestuário muitas vezes com um ano de antecedência. Este ritmo é, simplesmente, demasiado lento no mundo atual da fast fashion. Se essa aposta inicial não funcionar, os resultados são desastrosos.

«Não são ágeis o suficiente para o atual cenário competitivo do vestuário. Os concorrentes mais rápidos, como a Zara e a H&M, estão a superá-los no seu próprio jogo», considera Laura Champine, analista de retalho da Cantor Fitzgerald.

A indústria de fast fashion disponibiliza vestuário que pode não ser confecionado com recurso aos materiais de melhor qualidade, mas adequa-se às tendências e é muito mais acessível. «Se sou uma jovem consumidora, porque deveria gastar 165 dólares num vestido da Banana Republic quando consigo alguma coisa por 40 dólares na H&M ou na Forever 21?» exemplifica Rosenblum. «A fast fashion está a delapidar a indústria», acrescenta.

Ações da Gap em queda

A implosão das vendas da Banana Republic é a principal razão pela qual as ações da Gap, a sua empresa-mãe, caíram 5% no dia 10 de novembro, atingindo o valor mais baixo dos últimos anos três anos.

O desmoronamento das vendas da Banana Republic é também acompanhado pelos resultados desanimadores dos restantes membros da família. As vendas da marca Gap caíram 4%, enquanto a Old Navy – a menina dos olhos da empresa – assinalou um aumento de apenas 2%.

A Old Navy sofreu um duro golpe em setembro, quando o seu diretor Stefan Larsson abandonou a casa, preterindo-a face à rival Ralph Lauren, na qual ocupa agora o cargo de CEO.

Atualmente, a Gap luta para manter os seus clientes. A empresa afirmou que o mês de outubro foi «muito promocional», pelo que teve de disponibilizar grandes descontos, sacrificando, assim, os lucros. Por esse motivo, a Gap alertou para um eventual defraudar das previsões antecipadas por Wall Street.

Poderá a Banana Republic sobreviver?

A indústria questiona-se sobre se este será o fim da Banana Republic. Os especialistas dizem que é ainda demasiado cedo para responder a esta questão.

Laura Champine destaca o facto da marca Banana Republic representar, ainda, 20% do volume de negócios da Gap, somando quase 3 mil milhões de dólares em vendas, o que não é de desprezar. «Existe ainda muito espaço para esta marca cair. É muito cedo para pronunciar a morte da Banana Republic. Ela tem vindo a sangrar lentamente, o que, francamente, é o mesmo que temos visto em diversas marcas que a Gap possui», aponta

Também Paula Rosenblum considera que a Banana Republic terá de bater no fundo, contratar um especialista que a reconduza rumo ao crescimento e delinear um plano para se ajustar ao panorama atual da moda feminina. Mas, sublinha, «a fast fashion é um modelo muito difícil de superar quando se opta por não o integrar».